Há quase cem anos que o Coliseu Micaelense recebe bailes de gala no carnaval

Há quase cem anos que o Coliseu Micaelense recebe bailes de gala no carnaval

 

Lusa / AO online   Regional   7 de Fev de 2015, 10:34

O Coliseu Micaelense organiza há 94 anos bailes de gala no carnaval, uma tradição invulgar no país e no mundo que começou com carácter restrito e foliões selecionados, mas que se democratizou sem perder o requinte.

 

“Sempre foram, ao longo da história, hoje nem tanto, bastante seletivos, para um público muito específico, com algum poder de compra. Estamos a falar da nobreza e burguesia. Não era qualquer pessoa que tinha acesso aos bailes”, afirmou Carmen Costa, do gabinete de comunicação e relações públicas do Coliseu Micaelense, em declarações à agência Lusa.

Data de 1918 o primeiro festejo de carnaval no coliseu da ilha de São Miguel, no decorrer de sessões de cinema, mas é apenas a partir de 1921 que se iniciaram os bailes de gala, com senhoras de vestido comprido e senhores de 'smoking', uma tradição que se repete até hoje durante a quadra festiva.

Para Carmen Costa, o uso de trajes de gala nestes bailes de carnaval tem a ver com uma certa forma dos foliões se “afirmarem socialmente”, dado que “a vida social também tem essa componente das pessoas se mostrarem”, sendo que continua a haver grupos que reservam sempre o mesmo lugar de um ano para o outro.

Segundo disse Carmen Costa, notícias publicadas na imprensa regional em 1921 relatam que o primeiro baile de gala no coliseu, organizado por Alfredo Câmara, decorreu com “assistência seleta, numa festa íntima de carácter muito particular (…) uma verdadeira reunião particular”.

Apesar de alguns interregnos na história destes bailes, a “aura de glamour e características únicas no país e no mundo perduraram no tempo até hoje”, sendo que há já várias décadas que a festa passou a ter um “carácter mais democrático”, pois todos podem participar desde que comprem bilhete e respeitem as regras referentes ao vestuário.

“Estamos a falar de uma festa que acontece num edifício do início do seculo XX. Contrariando o espírito de carnaval, as pessoas vêm vestidas com traje de gala, tem música ao vivo, o espaço é totalmente decorado e permitimos que as pessoas tragam farnel”, referiu Carmen Costa, acrescentando que ontem como hoje continua a existir uma preocupação com as roupas, sobretudo por parte das senhoras, que procuram não repetir os vestidos.

Inaugurado a 10 de maio de 1917, o então designado Coliseu Avenida foi construído como réplica do Coliseu dos Recreios, em Lisboa, em plena I Guerra Mundial, na cidade de Ponta Delgada, que contava apenas com 20 mil habitantes.

Trata-se do segundo mais antigo coliseu em Portugal e só em 1950 se passou a designar Coliseu Micaelense.

Para os tradicionais bailes de carnaval, toda a sala principal continua a ser devidamente decorada e preparada com 120 mesas, divididas pela pista e primeiro e segundo balcão, além dos 80 camarotes.

Após vários anos de degradação, a Câmara Municipal de Ponta Delgada comprou o edifício em 2002 e avançou depois com obras de recuperação, tendo reaberto ao público a casa de espetáculos em 2005.

O projeto do arquiteto Rogério Cavaca manteve as características iniciais do edifício, que ficou preparado para receber diversos tipos de espetáculos como ópera, circo, concertos de música, congressos e galas.

Desde 2007 que foi criado, no terceiro andar, um polo museológico, onde estão expostos objetos que preservam a memória do Coliseu Micaelense, tais como fotografias de bailes, a primeira máquina de projeção de cinema adquirida pelo empresário Santos Figueira e o último piano do maestro Teófilo Frazão, entre outros.


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