Há muitas pessoas cegas que vivem fechadas em casa a precisar de ajuda

Há muitas pessoas cegas que vivem fechadas em casa a precisar de ajuda

 

Lusa/AO online   Nacional   12 de Mar de 2018, 14:17

O presidente da Associação Promotora do Ensino dos Cegos (APEC), Vítor Graça, alertou hoje que há muitas pessoas cegas a viverem fechadas em casa e a precisarem de ajuda para tudo, desde vestir, comer ou andar na rua.

“Segundo o Censos, existem em Portugal cerca de 163 mil pessoas com deficiência visual e, se calhar, nas ruas não andam mais de 10 mil pessoas. Todas as outras, muitas delas, estão fechadas em casa e a precisar que alguém os ajude e os integre”, disse à agência Lusa Vítor Graça, no dia em que a associação completa 130 anos.

Para chegar a estas pessoas, a APEC, a primeira instituição a ministrar educação às crianças cegas em Portugal, lançou no ano passado o projeto “Inclusão Social para maior Qualidade de Vida da População DV”.

O projeto tem como principal objetivo apresentar “soluções inovadoras” para dar mais oportunidades de inclusão social, no sentido de “resolver a lacuna existente em Portugal, relativamente às condições em que vivem as pessoas com deficiência visual”.

“A escassez de serviços e respostas sociais de proximidade, de prevenção da exclusão social e negligência é um problema ainda existente que aumenta exponencialmente os riscos que vão muito para além das limitações próprias da perda de visão”, sublinha a associação.

Quando uma pessoa está no hospital e os médicos lhe dizem que vai ficar cega “a pessoa e a família ficam muito perdidas porque não sabe que instituições existem, não sabem o que fazer, e a família acaba por fechar a pessoa em casa”.

“O trabalho que estamos a fazer é estar no hospital para explicar que o mundo não termina ali”, disse Vítor Graça.

“É verdade que a pessoa deixa de ver e que a sociedade está feita para quem vê, mas com o apoio das instituições é perfeitamente possível a pessoa ser reabilitada e é isso que nós queremos”, defendeu.

O presidente da associação contou que “há muita gente que está fechada em casa que não sabe cozinhar, não sabe andar na rua, não conhecem as novas tecnologias”.

O objetivo da associação é reabilitá-las e capacitá-las ensinando-lhes, por exemplo, “a andar na rua com bengala, a trabalhar com o computador, a passar a ferro, a comer, a vestir-se”.

Desde outubro, a associação já apoiou 230 pessoas, mas pretende apoiar muito mais, estando para isso a fazer o levantamento das necessidades das pessoas com deficiência junto de várias instituições.

“O projeto está a crescer, temos bastantes pedidos e estamos a responder às necessidades das pessoas”, disse Vítor Graça.

“A sociedade está feita para as pessoas que veem e infelizmente exclui as pessoas porque são diferentes, mas cabe-nos a nós lutar e dizer que as pessoas são cegas, mas são capazes de fazer outras coisas”, rematou.

A Associação Promotora do Ensino dos Cegos assinala hoje o seu aniversário com uma cerimónia que conta com a presença da secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes.



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