Há indícios de aumento do preço do leite pago ao produtor na europa

Regional /
Vasco Cordeiro

1068 visualizações   

O presidente do Governo dos Açores disse hoje haver indícios do aumento do preço do leite pago ao produtor em alguns países europeus, situação que a Associação Agrícola de São Miguel espera ver repercutida rapidamente no arquipélago.
 

 

“Começamos a assistir a alguns indícios de que há uma alteração, desde logo em alguns países europeus, quanto ao preço do leite pago à produção”, afirmou Vasco Cordeiro, acrescentando que “há também sinais ao nível dos mercados internacionais de laticínios da melhoria dos preços, sendo legítima a questão da repercussão na região”.

Vasco Cordeiro falava na inauguração do III Concurso Micaelense Holstein Frísia de outono, que decorre até domingo, no parque de exposições da ilha de São Miguel, em Santana, concelho da Ribeira Grande.

Para o presidente do Governo Regional, é necessário aproveitar “essa janela de oportunidade” para “criar cada vez melhores, mais sólidos alicerces para que o setor possa ultrapassar os momentos mais difíceis”.

O presidente da Associação Agrícola de São Miguel, que também é o responsável pela Federação Agrícola dos Açores, Jorge Rita, referiu que, perante os “sinais de retoma”, é “legítima” a expectativa dos produtores de leite nos Açores de que “o preço aumente rapidamente para que o setor saia deste sufoco, deste garrote económico que foi imposto”.

Segundo disse Jorge Rita, o setor agrícola, e o do leite em particular, deve ser uma “grande prioridade” para o Governo dos Açores, região que produz mais de 30% do leite nacional e quase 50% do queijo.

Jorge Rita defendeu que um dos grandes desafios do executivo, que tomou posse este mês, é o de promover mais reformas antecipadas no setor, porque, se assim não for, “os jovens não têm qualquer hipótese de entrar”.

Sobre esta matéria, o presidente do Governo Regional declarou que a Europa entendeu que as reformas antecipadas não eram uma via para ajudar a solucionar “este momento de tensão e pressão”.

“Na minha opinião entendeu mal, porque parte do rejuvenescimento do setor e, por essa via, a possibilidade de utilizarmos fundos comunitários para lançar processos de reformas antecipadas, é algo que se perdeu no atual quadro comunitário de apoio que não se devia ter perdido”, considerou Vasco Cordeiro, acrescentando que “é sempre mais difícil e complexo” quando esses processos são lançados com verbas exclusivamente do orçamento da região.