Há dúvidas sobre recolha de aparelhos velhos apesar de regras para poluente HFC - Zero


 

AO/Lusa   Economia   15 de Out de 2016, 17:55

Portugal tem regras para a progressiva proibição dos gases poluentes dos aparelhos de refrigeração, mas estes "não têm parado de crescer" e muitos dos equipamentos velhos podem não estar a ter o tratamento adequado, disse hoje o presidente da Zero.

 

Nas emissões, em Portugal, "os hidrofluorcarbonetos [HFC] representam cerca de 3%" do total, o que "não é um valor muito levado, mas é problemático porque não tem parado de crescer e estão associadas a uma série de eletrodomésticos e, se não tivermos a recolha e o processamento adequado para os gases que estão nos equipamentos, isso fará toda a diferença", afirmou Francisco Ferreira.

O presidente da Zero - Associação Sistema Terrestre Sustentável falava à agência Lusa a propósito do acordo hoje conseguido, no Ruanda, entre representantes de quase 200 países, para uma redução faseada dos gases de efeito estufa usados em frigoríficos e ares condicionados, os HFC, com efeitos mais graves que o dióxido de carbono (CO2) no aumento da temperatura do planeta.

Para o especialista em alterações climáticas, este acordo conseguido no âmbito do protocolo de Montreal, "tem um significado quase tão grande como o acordo de Paris" contra as alterações climáticas.

"Portugal tem um regulamento de há dois anos atrás, com um conjunto de exigências progressivas em que os gases com maior potencial de aquecimento global estão a ser proibidos e têm de ser substituídos por outros de menor impacto", mas também "está em cima da mesa um conjunto de questões como criar uma taxa" para estes gases, o que já acontece, por exemplo, em Espanha, descreveu o ambientalista.

No entanto, alertou, "ainda esta semana foi relatado que metade dos equipamentos antigos, nomeadamente frigoríficos, não estão a ser devolvidos aquando da venda de novos", o que significa que "muitos aparelhos podem não estar a ter o tratamento adequado e os gases podem ser libertados para a atmosfera".

Por isso, "há um esforço que tem de ser feito também na fiscalização", acrescentou.

Os HFC "são superpoluentes, e um quilograma destes gases com efeito de estufa vale milhares de vezes um quilo de CO2, em termos do potencial do aquecimento global", explicou Francisco Ferreira, acrescentando que, "o mais dramático é que estes gases têm vindo a crescer avassaladoramente à escala mundial".

No mundo, realçou, "são 70 mil milhões de toneladas as emissões de CO2 equivalente que, através deste acordo, podem vir a ser evitadas, o que, no total, anda quase próximo do potencial de aquecimento global de meio grau".

Para os grandes países em desenvolvimento, num total de 85%, em particular para a China, está fixado 2024 como data limite para consumo dos HFC, enquanto outros, como Índia, Paquistão ou Arábia Saudita, que têm mais algum tempo para a adaptação.

Os países desenvolvidos ou vão avançar ações até 2019 ou, como no caso da União Europeia, já estão com regulamentos em vigor para reduzir as quantidades de emissões de HFC.



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