Guterres pede diplomacia para a paz num mundo com relações caóticas

Guterres pede diplomacia para a paz num mundo com relações caóticas

 

Lusa/AO online   Nacional   5 de Jan de 2016, 14:47

O ex-alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados, António Guterres, defendeu que a diplomacia para a paz deve ser "a prioridade número um" numa altura em que as relações internacionais estão "caóticas".

"A palavra que descreve hoje a relação de forças à escala internacional é 'caótica'", afirmou António Guterres, orador convidado do Seminário Diplomático, que decorre hoje e quarta-feira em Lisboa.

As consequências, acrescentou, "são a imprevisibilidade e impunidade que proliferam e a possibilidade de conflitos aparecerem onde menos são previstos e de uma forma que é extremamente gravosa para as populações porque os responsáveis sentem que a impunidade é total".

As violações dos direitos humanos e da lei humanitária, as situações de massacre, a "terrível violência" em relação às mulheres e crianças têm hoje "uma muito maior visibilidade, mas chocam com a incapacidade de a comunidade internacional lhes responder", considerou Guterres, que no final de dezembro terminou o mandato como alto comissário da ONU para os Refugiados, cargo que ocupou durante dez anos.

Na sua opinião, a diplomacia para a paz deve ser "a questão central da ação política", mas "tem havido muito poucas iniciativas neste domínio".

Para Guterres, "há um problema de liderança" internacional e a situação atual é "perigosa", com alguns dos atuais conflitos a constituírem "uma ameaça séria para toda a gente".

"A minha esperança é que a compreensão progressiva por parte dos atores que apoiam os diversos conflitos de que isto se está a tornar num mundo de tal forma perigoso que eles próprios veem os seus interesses fundamentais postos em causa os leve a perceber que é melhor parar com este absurdo", sublinhou o antigo primeiro-ministro socialista, que reconheceu que "ainda não estamos lá".

"Acho que ainda há países que acreditam que podem ganhar guerras, mas a minha convicção é que nenhuma das guerras pode ser ganha, elas vão prolongar-se de uma forma perigosa para todos. Enquanto não estiverem todos convencidos de que a guerra não é ganhável por ninguém, será difícil criar as condições para que a paz seja restabelecida", sustentou António Guterres.

 


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