Guterres defende "mega-acordo" para reinstalar centenas de milhares

Guterres defende "mega-acordo" para reinstalar centenas de milhares

 

Lusa/AO Online   Internacional   16 de Fev de 2016, 17:46

O ex-alto-comissário para os Refugiados António Guterres defendeu hoje que só um "mega-acordo" entre países europeus e vizinhos da Síria para a reinstalação de centenas de milhares de pessoas pode evitar uma "tragédia humanitária de proporções calamitosas".

 

Guterres, que falava na comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros, afirmou que "alguns [países] europeus estão abertos" a um tal acordo mas, "se não for possível à escala da União Europeia", deve ser feita uma "coligação dos países que estiverem disponíveis para isso".

"Se não, vamos assistir a uma tragédia", frisou, depois de referir os milhares de mortes provocadas pela "condição absurda de travessia do Mediterrâneo e o movimento caótico pela Europa".

Para Guterres, um acordo é a única forma de evitar a movimentação de milhares de pessoas pelos Balcãs que provocou nas opiniões públicas dos vários países o receio de estar perante "uma invasão da Europa".

O caos a que se assistiu não se deveu ao elevado número de migrantes, disse, sublinhando que chegaram em 2015 dois migrantes por cada 1.000 cidadãos europeus, mas à "total ausência de resposta" da União Europeia.

E nesse aspeto, frisou, "a Alemanha ainda é a grande válvula de escape do sistema", porque muitos países europeus "fecharam a porta" deixando para a Alemanha a resolução do problema.

Guterres advertiu para a situação limite de que se aproximam os países vizinhos da Síria - Turquia, Jordânia e Líbano, que acolhem mais de quatro milhões de refugiados - e para as "consequências imprevisíveis" que daí podem advir, como uma expulsão dos refugiados para a Síria.

O ex-alto-comissário defendeu também a necessidade de "uma campanha muito forte de pedagogia" que permita que o debate sobre migrações "deixe de ser esquizofrénico", com as sociedades europeias cada vez mais envelhecidas e ao mesmo tempo a recusarem receber migrantes.

"Fazer compreender às opiniões públicas que todas as sociedade serão necessariamente multirraciais, multiétnicas e multirreligiosas" e, para isso, "investir na criação de condições" para a integração dos estrangeiros.


Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
 
Termos e Condições de Uso.