Guardas prisionais admitem greve contra condições da cadeia de Ponta Delgada

Guardas prisionais admitem greve contra condições da cadeia de Ponta Delgada

 

Lusa/AO online   Regional   10 de Nov de 2015, 15:14

O Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP) anunciou que "vai elaborar um relatório" sobre "a situação grave" da cadeia de Ponta Delgada e insiste que, se nada mudar, avança para uma greve.

 

"Falamos de um estabelecimento prisional que tem próximo de 150 anos e que, pela sua idade, demonstra um estado avançado de degradação e não reúne condições de alojamento individual dos reclusos, nem condições dignas de trabalho para os guardas prisionais", disse à Lusa o presidente do Sindicato Nacional.

Jorge Alves disse que o sindicato vai elaborar um relatório sobre as condições hoje observadas na cadeia e "solicitar uma intervenção". Caso a Direção-Geral dos Serviços Prisionais "não dê uma resposta positiva", o sindicato admite realizar "uma greve de um mês", adiantou.

Segundo Jorge Alves, a cadeia de Ponta Delgada tem uma lotação para, no máximo, 110 reclusos, mas alberga atualmente 187 detidos.

Além da sobrelotação, numa cadeia que tem "maioritariamente camaratas" e "uma cela com 50 reclusos", o presidente da direção do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional disse também ter constatado que o estabelecimento prisional "está a degradar-se de forma acelerada" e alertou que até "caiem pedras da fachada" do edifício.

"Os guardas prisionais não têm condições dignas de trabalho no estabelecimento prisional e também não têm as mínimas condições de segurança na sua atividade diária", alertou ainda Jorge Alves, reiterando a necessidade de construir um novo estabelecimento prisional em S.Miguel para evitar a transferência de muitos reclusos para o continente que ficam longe da família e do meio onde estavam inseridos.

O dirigente sindical, que reuniu com o diretor da cadeia, afirmou não ter conseguido garantias para a resolução dos problemas de ordem estrutural, uma vez que a cadeia "não tem independência financeira para efetuar as obras necessárias" e "tem sempre que pedir autorização para a Direção-Geral dos Serviços Prisionais".

O diretor comprometeu-se, no entanto, a ir "corrigindo pontualmente algumas situações internas", nomeadamente no que se refere ao "posicionamento do bar de reclusos que na zona em que está coloca alguma fragilidade em termos de segurança" ou a criação de "um mecanismo para acabar com a circulação de dinheiro no interior do estabelecimento".

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