Greve dos trabalhadores portuários "é duplamente penalizadora"


 

Lusa/AO Online   Regional   20 de Mai de 2016, 19:58

O presidente da Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada, nos Açores, considerou que a greve dos trabalhadores portuários, acumulada com a paralisação dos estivadores, é "duplamente penalizadora" para o funcionamento da economia açoriana.

“Se já era suficientemente mau a greve dos estivadores nos portos da área de Lisboa a situação fica naturalmente ainda pior com mais esta greve que, não sendo tão prolongada, vai adicionar algumas perturbações”, declarou Mário Fortuna.

O Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Administrações Portuárias entregou um pré-aviso de greve à prestação de trabalho em todos os portos nacionais entre os dias 02 e 06 de junho, declarou hoje à Lusa uma fonte sindical.

Em declarações à agência Lusa, o vice-presidente do Sindicato Nacional das Administrações Portuárias, Serafim Gomes, explicou que na origem do protesto está o "congelamento das carreiras, alegadas violações ao acordo coletivo de trabalho, que entrou em vigor em novembro de 2015, e a situação no porto de Lisboa devido à greve dos estivadores.

O presidente dos empresários de Ponta Delgada considerou estas situações “inqualificáveis" porque os Açores "ficam prisioneiros destas greves” e “acaba-se por ser pretexto para um ‘forcing’ por parte dos estivadores com prejuízos muito consideráveis para a economia” açoriana, que está a “pagar a maior parte desta fatura”, a par da Madeira.

O líder dos empresários de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, defendeu que os governos “deviam ser mais atentos às consequências” que as greves implicam para a economia regional.

Mário Fortuna entende que nestas paralisações o Governo dos Açores “tinha que garantir em absoluto, e não talvez, que seriam salvaguardados os interesses da região”.

“Se é compreensível uma greve desta natureza num território continental o mesmo já não é verdade num insular porque não há alternativas razoáveis ao transporte marítimo”, afirmou Mário Fortuna.

O dirigente referiu que a economia e os empresários estão a ser penalizados “numa altura em que se está a sair de uma crise muito profunda”.

O secretário regional do Turismo e Transportes declarou, entretanto, que a autoridade portuária dos Açores está a trabalhar com o sindicato para decretar serviços mínimos na greve dos trabalhadores portuários.

“Ao contrário do que foi tornado público esta greve não é uma extensão da greve da estiva, mas sim dos trabalhadores afetos à autoridade portuária”, referiu aos jornalistas, no Pico, Vítor Fraga, que integra a comitiva do executivo açoriano em visita oficial à ilha.

Vítor Fraga afirmou que esta paralisação vem “agravar o impacto” que a greve dos estivadores trouxe para os Açores.



Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
 
Termos e Condições de Uso.