Greve dos trabalhadores da Prosegur e Securitas ao trabalho extraordinário pode ter impacto na segurança dos aeroportos

Greve dos trabalhadores da Prosegur e Securitas ao trabalho extraordinário pode ter impacto na segurança dos aeroportos

 

LUSA/AO online   Nacional   23 de Ago de 2016, 15:20

A greve ao trabalho suplementar dos trabalhadores da Prosegur e Securitas nos aeroportos nacionais, que começa na quarta-feira, poderá ter impacto na segurança uma vez que o recurso a horas extra "é constante", afirmou o dirigente do Sitava

"Os trabalhadores destas duas empresas são responsáveis pela segurança de cerca de 40 milhões de passageiros que, por ano, passam pelos aeroportos portugueses e, com as condições em que trabalham, mais tarde ou mais cedo, podemos vir a ter problemas graves. É a altura de olhar com atenção para esta questão", afirmou hoje à Lusa o dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (Sitava) Fernando Henriques.

Em declarações à Lusa, o dirigente sindical explicou que estas empresas recorrem ao trabalho suplementar de modo regular, de tal forma que nas escalas definidas, com um mês antecedência, já está previsto no horário dos trabalhadores a prestação desse período extraordinário.

"Quando temos trabalhadores a fazer turnos de 12 horas, é natural que ao fim de algum tempo não tenham capacidade para avaliar, por exemplo as cores com que são representados os artigos transportados na bagagem", realçou.

Questionada sobre o impacto da greve, fonte oficial da ANA garantiu que a gestora aeroportuária está "a tomar as iniciativas adequadas para mitigar a situação e os seus eventuais efeitos no normal processamento dos passageiros nos aeroportos sob sua gestão e manter-se-á atenta ao evoluir da situação".

Os trabalhadores das empresas Prosegur e Securitas são hoje quem assegura o raio-x da bagagem de mão e o controlo dos passageiros e também dos trabalhadores do aeroporto.

De acordo com o pré-aviso de greve do Sitava, afeto à CGTP, os trabalhadores dos aeroportos nacionais vão fazer uma paralisação de 24 horas a 27 de agosto e avançam já na quarta-feira com uma greve ao trabalho suplementar que se prolonga até 31 de dezembro.

Na origem desta greve estão a negociação de um contrato coletivo de trabalho para os Assistentes de Portos e Aeroportos (APA) sem qualquer regime de flexibilização da organização dos tempos de trabalho, a criação de uma carreira profissional e “a tomada de medidas urgentes” no âmbito de saúde e segurança no trabalho.

“Estes profissionais são diariamente maltratados, seja ao nível das suas condições de trabalho, seja ao nível das condições de saúde e segurança no trabalho”, denuncia o sindicato.

O SITAVA assinala ainda que a greve se realiza após mais de nove meses de negociações entre o sindicato e a Associação das Empresas de Segurança (AES) para a celebração de um novo contrato coletivo de trabalho, não tendo sido possível “sensibilizar as empresas - Prosegur e Securitas - para a realidade pela qual passam estes trabalhadores, responsáveis pela segurança de milhões de pessoas, todos os anos”.


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