Grécia é fator de risco mas investidores reconhecem "trabalho de casa" de Portugal


 

AO/lusa   Economia   18 de Jan de 2015, 09:23

A presidente do IGCP considera que a situação política da Grécia "é um fator de risco" para toda a Europa, mas destaca que "os investidores sabem discriminar" os países e reconhecem "o trabalho de casa" feito por Portugal.

 

Em entrevista à agência Lusa, Cristina Casalinho, que preside a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Publica (IGCP) afirmou que "o problema da Grécia é um problema para toda a gente, no sentido em que é um fator de risco".

No entanto, a economista considera que "parece que, face aos mecanismos entretanto introduzidos na gestão da crise na Europa, há 'ring-fencing', ou seja, há alguma capacidade de isolamento para evitar que os fenómenos de contágio se alastrem".

Segundo Cristina Casalinho, "os investidores sabem discriminar [os países] e depende muito da capacidade de fazer o trabalho de casa".

Também Paulo Ribeiro, coordenador do Núcleo de Emissões e Mercados do IGCP, deu conta de que "a dívida portuguesa transaciona muito em linha com o que acontece com Espanha e Itália" e que, "hoje em dia, já reage muito pouco às notícias que vão saindo da Grécia".

Isto revela que "os investidores veem Portugal de uma forma diferente, [tendo em conta] a recuperação económica e as reformas estruturais" realizadas, acrescentou o responsável.

Questionada sobre se a Grécia pode ter uma renegociação da sua dívida pública, Cristina Casalinho disse que a Europa tem vindo a dar melhores condições aos países para que estes paguem a sua dívida, defendendo que o que difere é a capacidade de cada país aproveitar essas mesmas condições.

Ainda a respeito da Grécia, a presidente do IGCP lançou uma pergunta: "o que é que se pode querer mais do que ter o Banco Central Europeu (BCE) a concretizar uma política monetária quantitativa, o [chamado] 'quantitative easing'?", disse.

Cristina Casalinho referia-se às medidas de política monetária que o BCE se prepara para anunciar, de compra de dívida dos Estados, o que fará baixar as taxas de juro e apoiar a recuperação económica europeia.

Em relação ao contexto interno de Portugal, que nos últimos meses incluiu um escândalo financeiro que levou ao fim do Banco Espírito Santo e à detenção de um ex-primeiro-ministro e que terá ainda este ano eleições legislativas, Cristina Casalinho admitiu que "a informação flui livremente, toda a gente tem informação em tempo real e as pessoas fazem uso dessa informação".

A líder da agência que gere a dívida pública portuguesa reconhece que "o caso BES e a crise política em 2013 [coincidiram com] dois picos claros na evolução das taxas [de juro] portuguesas", recordando que "no final de julho e início de agosto de 2013 houve um pico significativo e, depois, houve outro pico [na mesma altura de 2014], menos significativo".


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