Grande Barreira de Coral na lista de vigilância da UNESCO

Grande Barreira de Coral na lista de vigilância da UNESCO

 

Lusa/AO online   Internacional   29 de Mai de 2015, 19:18

A Grande Barreira de Coral australiana vai ficar sob vigilância mas não será classificada como estando 'em perigo', de acordo com um projeto de recomendação à Comissão do Património Mundial das Nações Unidas.

 

A Austrália estava preocupada com o facto de o maior sistema de recifes de coral do mundo, que tem estatuto de Património Mundial desde 1981, poder ser formalmente classificado como estando 'em perigo' quando a comissão se reunir, em junho.

Um projeto de recomendação hoje publicado no site da internet da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) indica que a comissão encara "com preocupação" o atual estado dos recifes, mas acrescenta "receber com satisfação" o plano de 35 anos da Austrália para o proteger.

No texto, insta-se as autoridades australianas "a cumprir rigorosamente os seus compromissos" no âmbito do chamado "Plano de Sustentabilidade a Longo Prazo da Barreira de Coral 2050" e a apresentar um relatório dos progressos feitos até dezembro de 2016.

"A perspetiva global (para o recife) é pobre: as alterações climáticas, a má qualidade da água e as consequências do desenvolvimento costeiro são grandes ameaças à (sua) saúde", lê-se no documento.

"Habitats, espécies e ecossistemas essenciais continuaram a degradar-se nas áreas costeiras do centro e sul devido aos efeitos cumulativos destes impactos", acrescenta a Comissão do Património Mundial.

O plano australiano prevê reduzir os níveis de poluição que contaminam as águas em torno da barreira de coral em 80 por cento até 2025, limitar o desenvolvimento portuário e proibir a descarga de sedimentos dragados.

A Grande Barreira de Coral é um tesouro de biodiversidade, um ícone nacional e um grande gerador de receitas do turismo, ajudado pelo seu estatuto de Património Mundial da Humanidade.

Ocupa 348 mil quilómetros quadrados ao largo da costa leste da Austrália, com 2.500 recifes individuais que albergam corais únicos, 1.500 espécies de peixe e milhares de tipos de moluscos.

Em 2011, a UNESCO expressou "extrema preocupação" com a aprovação do processamento de gás natural liquefeito e instalações portuárias dentro daquela área e avisou que o sistema de recifes poderia ser classificado como 'em perigo'.

Composta por 21 membros da ONU, a Comissão do Património Mundial da UNESCO determina, na sua reunião anual, se cenários naturais, culturais ou históricos deverão ser incluídos na sua lista e supervisiona o seu estado de conservação.

O projeto de recomendação será apresentado na próxima sessão, que se realiza em Bona, capital da antiga República Federal da Alemanha, entre 28 de junho e 08 de julho.

Outras paisagens naturais classificadas que serão avaliadas nesta reunião incluem os Parques Nacionais do Lago Turkana, no Quénia, o Lago Baikal, na Rússia e o Parque Nacional de Chitwan, no Nepal.


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