Graciosa quer criar roteiro da água com antigos reservatórios

Graciosa quer criar roteiro da água com antigos reservatórios

 

Lusa / AO online   Regional   7 de Fev de 2016, 10:49

A Câmara Municipal da Graciosa pretende criar um roteiro da água na ilha, onde existem vários reservatórios, "todos diferentes em tamanho e estrutura", sendo que atualmente apenas os 'Tanques do Atalho' são visitáveis.

 

"Gostaríamos de fazer um roteiro da água. Esta ilha é muito rica nesta área, só que tudo o que é recuperação exige dinheiro é demorado, trabalhoso e nós não chegamos a tudo", afirmou hoje à agência Lusa o presidente do município, Manuel Avelar, acrescentando que, este ano, a autarquia não consegue recuperar mais nenhum reservatório.

Desde 2015 que os 'Tanques do Atalho', construídos em 1866 em Santa Cruz, estão abertos diariamente a visitas, sendo uma "infraestrutura invulgar" ao nível dos reservatórios de água existentes no arquipélago devido à sua arquitetura e colunas em pedra basáltica, que se assemelha ao reservatório Mãe d'Água, em Lisboa, concluído em 1834.

"Está aberto todos os dias à tarde, entre as 13:30 e as 16:30. Neste horário, está lá uma pessoa de um programa [de emprego] do Governo Regional", disse o Manuel Avelar, adiantando que a abertura ao público deste reservatório subterrâneo foi possível após a alteração da rede de águas que ocorreu em Santa Cruz.

Segundo o autarca, um italiano que vive na Graciosa fez a proposta à câmara de transformar este reservatório num espaço para acolher exposições ou concertos, algo que ainda não ocorreu, porque primeiro é preciso fazer algum investimento.

Para Manuel Avelar, "todo este património merece ser preservado e rentabilizado", como forma de "demonstração de como os antigos conseguiram construir e manter depósitos de água desta envergadura".

O investigador Jorge Bruno, que coordenou o inventário do património imóvel dos Açores entre 1997 e 2009, escreveu nesta publicação que, ao contrário de outras ilhas dos Açores, as condições físicas da Graciosa fizeram com que ela fosse carente de água, o que suscitou a necessidade de desenvolvimento de sistemas próprios de captação e armazenamento de água.

"A forma como foram implantadas no terreno, o modo como foram construídas e os materiais utilizados na sua construção são reveladores da criação de uma competente resposta à necessidade de lidar com a água", refere o investigador.

Na mesma obra, Jorge Bruno explica que os reservatórios da ilha são "estruturas enterradas no terreno, têm forma retangular e, em regra, estão inseridos num recinto murado, também retangular, sendo o interior dividido em naves por fiadas de arcos de volta inteira assentes em colunas, que sustentam uma cobertura abobadada, sendo o aspeto interior imponente e insólito".


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