Governo "perplexo" com declarações dos sindicatos a seguir à greve geral


 

Lusa/AO On line   Nacional   25 de Nov de 2010, 05:52

O secretário de Estado da Administração Pública revelou-se hoje "perplexo" com o facto de estruturas sindicais terem declarado que estavam em greve cerca de um milhão de funcionários públicos, o que considerou “um lapso”.

Gonçalo Castilho dos Santos esclareceu que o Estado emprega 835 mil trabalhadores, pelo que, mesmo que a adesão fosse de cem por cento na Função Pública, o número de grevistas seria inferior a um milhão.

“Foi com alguma perplexidade que, a certa altura, ouvimos os líderes sindicais referirem que cerca de um milhão de trabalhadores no setor público teriam aderido à greve. Esse número, por certo, será um lapso”, afirmou em conferência de imprensa no Ministério do Trabalho, em Lisboa.

O secretário de Estado aludia às declarações do secretário geral da UGT, João Proença, que, na comunicação conjunta de hoje à tarde com a CGTP, afirmou que o número de funcionários públicos em greve seria próximo de um milhão.

“Se juntarmos os cerca de 663 mil trabalhadores da administração pública aos cerca de 172 mil trabalhadores das empresas públicas, incluindo já os da Caixa Geral de Depósitos, nós temos um número na casa dos 835 mil funcionários em todo o sector publico”, apontou Gonçalo Castilho dos Santos.

De acordo com os números do Governo, 121.358 trabalhadores da administração direta e indireta do Estado aderiram à greve geral, o que significa que cerca de 72 por cento deles estiveram a trabalhar.

O mesmo balanço indica que dos 10.554 serviços do Estado, 3.090 estiveram encerrados.

Na mesma conferência de imprensa, a ministra do Trabalho, Helena André, rejeitou a possibilidade de a greve geral ter contado com a adesão de três milhões de trabalhadores, à semelhança do que afirmaram os sindicatos, considerando que isso significaria que o país parou, o que, na sua opinião, não aconteceu.

"Se contarmos a população empregada em Portugal, vemos que estão registados 4,963 milhões de trabalhadores. Se três milhões fizessem greve, teríamos uma adesão de 60,4 por cento e teríamos o país parado. Penso que todos pudemos observar que o país não esteve parado e esteve a funcionar", declarou.

Helena André disse, porém, não considerar importante "entrar em guerras de dados" com os sindicatos, preferindo congratular-se com o facto de a greve ter decorrido de forma tranquila e sem atropelos aos direitos das pessoas.


Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
 
Termos e Condições de Uso.