Governo grego pôs fim às negociações de forma unilateral

Governo grego pôs fim às negociações de forma unilateral

 

Lusa/AO Online   Economia   27 de Jun de 2015, 14:55

O ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, disse hoje que o Governo grego "pôs fim às negociações unilateralmente" com os credores ao convocar um referendo e que há que esperar para ver as consequências.

"Estávamos a negociar uma posição comum entre o Eurogrupo e a Grécia, mas o executivo grego pôs fim às negociações unilateralmente. Agora temos de ver as consequências", afirmou Schäuble à chegada à reunião dos ministros das Finanças da zona euro, em Bruxelas.

O governante alemão disse ainda que, após o anúncio, na sexta-feira à noite, da consulta popular, não há "de momento mais base para as negociações" e acrescentou que "nenhum dos colegas" do Eurogrupo "tem ideia do que se pode fazer agora".

Já o presidente do Eurogrupo, o holandês Jeroen Dijsselbloem, tinha considerado hoje em Bruxelas que a decisão do Executivo helénico é "muito lamentável para a Grécia, porque fechou a porta a mais conversações", acrescentando que agora há que discutir "futuras consequências".

O Eurogrupo - cuja reunião de hoje era classificada como decisiva para se alcançar um compromisso de última hora entre Atenas e os seus credores a três dias do fim do atual programa de assistência - foi surpreendido na sexta-feira à noite pelo anúncio da realização de um referendo a 05 de julho.

Este servirá, segundo o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, para que o povo grego decida se aceita, ou não, o acordo proposto pelos credores - Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Central Europeu (BCE).

Fonte do Syriza, partido que apoia o executivo, já disse que irá defender que a resposta dos eleitores seja 'não'.

A decisão de realizar um referendo coloca em causa a capacidade de Atenas cumprir os seus compromissos, pois a 30 de junho, próxima terça-feira, termina a extensão do atual programa de resgate da Grécia - prolongado em fevereiro por quatro meses para dar tempo a um acordo entre os credores e Atenas -, e ainda o prazo para a Grécia reembolsar quase 1.600 milhões de euros ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

O ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, vai pedir aos parceiros europeus nesta reunião uma nova extensão do programa de resgate por algumas semanas, a tempo de ter a decisão do povo grego.

No entanto, esse pedido poderá não ter 'luz verde'.

O ministro secretário de Estado das Finanças da Holanda, Eric Wiebes, considerou que "não há razão para uma extensão" uma vez que "o prazo é conhecido há quatro meses".

"Penso que há uma clara maioria no Eurogrupo que considera que uma extensão do programa está forma de questão", afirmou, por seu lado, o ministro das finanças da Finlândia, Alexander Stubb.

O Eurogrupo de hoje também poderá discutir a introdução de controlos de capitais na Grécia, provavelmente através de limites às transferências internacionais de dinheiro, já que perante a situação atual deve-se intensificar ainda mais a fuga de depósitos que já vem aumentando nas últimas semanas. No entanto, como lembraram vários ministros, essa é uma decisão que tem de partir do Governo grego.

Ainda à entrada desta reunião, o ministro das Finanças de Espanha, Luis de Guindos, e o ministro das Finanças da Finlâdia tiveram frases muito semelhantes: "O Plano A pode transformar-se em Plano B".

Até agora, todas as instituições europeias disseram que só havia um cenário central, a manutenção da Grécia na zona euro e que tudo seria feito para isso.

Com a decisão do referendo e não acordo com os credores, o cenário central da zona euro poderá tornar-se a gestão de um incumprimento grego e mesmo a saída da Grécia da zona euro.

A reunião do Eurogrupo começou em Bruxelas pouco depois das 14:30 (13:30 em Lisboa).

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