Comunidades

Governo espera que luso-descendentes apresentem iniciativas de aproximação

Governo espera que luso-descendentes apresentem iniciativas de aproximação

 

Lusa/AO online   Internacional   30 de Out de 2011, 18:14

O governo português quer aproximar-se do jovem luso-descendente, mas espera que esse jovem lhe diga como fazer isso, disse sábado o secretário de Estado das Comunidades, José Cesário.

"Eu não sei o que é que o jovem que está em São Paulo, em Toronto ou em Paris quer. Eu não sei quais são seus interesses. Eu não sei, muitas vezes, quais são os interesses do meu filho", admitiu José Cesário. Por outro lado, disse, não se pode pensar que é o Governo que vai "determinar as coisas". "Quem tem que determinar o que se vai fazer são eles próprios [os jovens], mas nós temos uma função: apoiar iniciativas", afirmou o responsável. Segundo José Cesário, para 2012, serão consideradas iniciativas "prioritárias" as que envolvam o crescimento da participação de jovens, mulheres e membros do poder público luso-descendente e serão organizados encontros e seminários voltados para esse público. O governante salientou que, hoje, a presença dos jovens nas associações de portugueses no estrangeiro é quase nula e que o país vai "perder oportunidades todos os dias se não for capaz de se aproximar dessa diáspora".  As declarações foram feitas durante o seminário "Luso-brasilidade: Reflexões e Atualidade", projeto-piloto que colocou quatro representantes do governo de Portugal a dialogar com um grupo de jovens e líderes de associações portugueses em São Paulo. Além de José Cesário, participaram no encontro o secretário de Estado da Juventude e do Desporto, Alexandre Miguel Mestre, o secretário de Estado Adjunto da Economia e do Desenvolvimento Regional, António Almeida Henriques, e o secretário de Estado Adjunto dos Assuntos Parlamentares, Feliciano Barreiras Duarte. Segundo os responsáveis, a organização do encontro demonstra a "abertura" do novo governo português às comunidades.  Os representantes do governo deixaram claro que veem nas comunidades da diáspora uma possível ajuda para enfrentar a crise económica do país. Para eles, os luso-descendentes podem servir de "ponte" para incentivar as exportações de produtos portugueses e para aumentar os investimentos em Portugal. Durante as quase quatro horas do encontro, os representantes do governo português apresentaram as oportunidades que o país oferece, tanto para quem quer investir como para o jovem que deseja estudar ou estagiar em Portugal. A comunidade interagiu com dúvidas e sugestões - como a da regresso dos jogos luso-brasileiros, ideia que Miguel Mestre prometeu estudar para 2012 - mas também com muitas críticas, que foram do tratamento recebido pelos luso-descendentes nos aeroportos à burocracia para colocar em prática os investimentos. Associada de um rancho folclórico da cidade de Santos, Michele Ferreira Gonçalves, 23 anos, elogiou a iniciativa de falar livremente com as autoridades portuguesas, mas criticou a falta de divulgação dos eventos relacionados com Portugal e com a cultura portuguesa. Para Michele Gonçalves, se o objetivo é atrair os jovens para a comunidade e aproximá-los de Portugal, o diálogo não pode se limitar às associações.  "Como é que o jovem que é filho de portugueses vai participar [dos eventos da comunidade] se ele não sabe que acontecem essas coisas? Como vai entrar nas associações se ele não sabe que elas existem?", questionou.


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