Governo espanhol cria comité especial para enfrentar vírus


 

Lusa/AO online   Internacional   10 de Out de 2014, 17:46

O Governo espanhol aprovou a criação de um comité especial, presidido pela vice-presidente do Governo, que vai coordenar e gerir toda a resposta ao vírus Ébola e que será apoiado por um comité científico especifico.

 

O anúncio foi feito pela própria vice-presidente, Soraya Saénz de Santamaría, numa conferência de imprensa depois da reunião semanal do Conselho de Ministros espanhol em que foi analisada a atual situação do Ébola em Espanha.

“Neste momento a principal preocupação do Governo é o estado de saúde de Teresa Romero. A primeira preocupação é ela e a sua saúde. Queremos manifestar o nosso reconhecimento a todos os profissionais de saúde pela tarefa e esforços que estão a fazer”, disse.

Soraya Saénz de Santamaría disse que o objetivo do comité especial é conseguir coordenar da melhor forma possível a resposta ao problema que “gera preocupação na sociedade”, comprometendo-se a que o executivo trabalhará “com transparência e rigor”.

“Espanha é um país preparado com profissionais sanitários de primeira ordem e capaz de responder a este problema. É obrigação do Governo dar-lhes o máximo apoio e criar as melhores condições”, adiantou.

O comité envolverá membros de vários Ministérios e outras estruturas da administração “dado o cariz transversal” da resposta ao problema do vírus do Ébola e do número de atores institucionais envolvidos, disse ainda.

Além da vice-presidente do governo, o novo organismo integrará também a ministra da Saúde, Ana Mato e outros membros que esta designe e um representante do Ministério de Negócios Estrangeiros (MNE), que coordenará com a OMS, a UE e outros atores internacionais.

Participarão ainda representantes dos Ministérios da Defesa, do Interior, da Presidência, da Justiça e do gabinete do presidente do Governo e ainda a secretária de Estado da Investigação.

O comité integrará igualmente representantes das estruturas regionais de saúde, o presidente do novo comité científico e um representante do Hospital Carlos III onde está internada a auxiliar de enfermagem infetada e 13 outras pessoas em observação.

“Este comité vai coordenar os meios e recursos disponíveis, promover cooperação intrainstitucional e internacional, estabelecer protocolos de política informativa para a máxima transparência e analisar tanto a planificação existente como a situação europeia e internacional para controlo da doença”, disse Soraya Saénz de Santamaría.

Saénz de Santamaria confirmou que o comité se reunirá pelo menos uma vez por dia e que a sua agenda e composição serão suficientemente flexíveis para responder ao evoluir da situação.

Sem detalhar valores, explicou ainda que o Ministério da Fazenda criou uma “linha de crédito especial para fazer frente à crise do ébola”.

Questionada pelos jornalistas a número dois do executivo defendeu a decisão do Governo repatriar os dois missionários espanhóis infetados na Liberia e na Serra Leoa, e que acabaram por morrer em Madrid.

“Quero reconhecer a tarefa dos dois missionários e de Teresa Romero que contraíram a doença do Ébola por cuidar dos outros. Este é o ponto onde temos que centrar todas as decisões que tomamos e tomemos”, disse.

“São 3 cidadãos espanhóis que por solidariedade e voluntariamente se prestaram a cuidar de outras perante uma doença como o Ébola. Tivemos sempre muito presente isso. Eram cidadãos espanhóis que queriam voltar ao seu país”, disse.

Saénz de Santamaria disse que o processo de repatriação foi feito seguindo a recomendação da OMS e de forma idêntica à que outros países as realizaram.

Intervindo na mesma conferência de imprensa, por outro tema, o ministro da Defesa, Pedro Morenés, disse que a nível europeu se está já a trabalhar para desenhar medidas conjuntas que incluirão o envio de equipas para combater o Ébola em África.


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