Governo e oposição com leituras diferentes sobre resultados escolares

Governo e oposição com leituras diferentes sobre resultados escolares

 

Lusa/AO online   Regional   9 de Dez de 2014, 14:36

O Governo dos Açores e os partidos da oposição têm leituras diferentes sobre os maus resultados obtidos pelos alunos da região nos exames nacionais, considerados "os piores do país".

O tema esteve em discussão na Assembleia Legislativa dos Açores, na sequência de uma interpelação do deputado do PPM, Paulo Estevão, que lamenta que a Região continue na "cauda do país" nas provas finais dos 4.º, 6.º e 9.º anos de escolaridade.

"Todos os que analisam, ano após ano, os resultados obtidos pelo sistema educativo açoriano, no âmbito dos exames nacionais, ficam absolutamente chocados com a dimensão e a persistência do nosso fracasso", realçou o parlamentar monárquico.

No seu entender, estes maus resultados resultam, em parte, da situação económica das famílias açorianas: "é difícil para os alunos que se inserem em agregados familiares muito vulnerabilizados pelo desemprego e pela miséria, obterem bons resultados escolares".

Mas o secretário regional da Educação e Cultura, Avelino Meneses, não tem a mesma leitura sobre os resultados escolares, e criticou o "ranking" das escolas, ser pouco rigoroso e de induzir em erro.

"Os rankings constituem um modelo incompleto, simplista e grosseiro de avaliação das escolas, porque procedem à comparação do incomparável, e porque nem sempre consideram os mesmos fatores de análises em todos os estabelecimentos de ensino", disse o governante.

Avelino Meneses admitiu que o insucesso escolar "é um flagelo" nos Açores, mas lembrou que várias escolas do arquipélago, melhoraram substancialmente os seus resultados e subiram na tabela do ranking nacional.

"É preciso erguer a verdade dos números, que em 2014 evidenciam um inequívoco progresso sobre 2013, tudo traduzido em médias mais elevadas e na ocupação de lugares mais favoráveis", realçou o titular da pasta da Educação.

A explicação do governante suscitou, no entanto, a reação dos partidos da oposição, que responsabilizam o governo socialista de, ao longo de 18 anos de governação nos Açores, não ter conseguido inverter os maus resultados escolares.

Judite Parreira, do PSD, entende que a culpa é das sucessivas alterações nos membros do Governo, porque sempre que entra um novo secretário da Educação, "faz tábua rasa do passado e isso leva aos maus resultados".

Já Aníbal Pires, do PCP, responsabiliza toda a política socialista nos Açores, quer em termos educativos, quer em termos sociais, pelos maus resultados obtidos na região, acusando o Governo de ter "falhado em toda a linha".

Para Zuraida Soares, do BE, os Açores não podem aspirar a ter melhores resultados, quando há estabelecimentos de ensino que se queixam da "falta de materiais" e quando há alunos beneficiários do 1.º escalão da ação social escolar, que "ainda não têm manuais escolares" numa altura em que se aproxima o final do primeiro período de aulas.

Mas no entender de Félix Rodrigues, do CDS-PP, foi a "política de betão" e de "centralização de alunos" em "mega-escolas", retirando-os do seu contexto social, que contribuiu para o falhanço em matéria de sucesso escolar que atualmente se vive na região.

Uma interpretação muito contestada por Catarina Furtado, da bancada socialista, que lamentou que os deputados da oposição não queiram reconhecer que, apesar de tudo, houve uma melhoria significativa dos resultados escolares.

"Nós subimos as nossas médias na esmagadora maioria dos ciclos e na esmagadora maioria das escolas. Chegámos a ter no 9.º ano, uma melhoria da média em todas as unidades orgânicas", realçou a deputada do PS, que acusou a oposição de não estar a fazer uma leitura "séria" dos números


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