Governo dos Açores rejeita críticas de "passividade" no combate a doença nos coelhos bravos


 

AO/Lusa   Regional   22 de Fev de 2015, 19:00

O Governo Regional dos Açores rejeitou as acusações de "passividade" no combate a uma doença nos coelhos bravos, que se alastrou por sete ilhas no arquipélago, feitas num protesto que juntou este domingo 200 caçadores em Ponta Delgada.

 

"Desde o momento em que foi detetada e confirmada a existência da nova variante da Doença Hemorrágica Viral (RHD2), os procedimentos possíveis foram de imediato implementados por iniciativa destes serviços, como é sua obrigação, tendo por principal objetivo a contenção da doença que, pela sua natureza e forma de disseminação, se considera bastante agressiva", salientou a direção regional dos Recursos Florestais, num comunicado publicado no Gabinete de Apoio à Comunicação Social do executivo açoriano.

A reação surgiu na sequência de um protesto que juntou hoje cerca de 200 caçadores em Ponta Delgada, organizada pelo Clube de Caçadores de Vila Franca do Campo, cujo presidente, José Maria Arruda, acusou o Governo Regional de nunca ter dado uma explicação sobre o surto da doença aos caçadores e de não ter procurado a sua origem.

Está ainda a decorrer um abaixo-assinado para denunciar a "passividade" dos "governantes" regionais em relação ao "crime ambiental que foi cometido" na região.

Em resposta, a Direção Regional dos Recursos Florestais frisou que as medidas que tomou "têm permitido, até à data, uma evolução positiva na contenção dos efeitos do surto nas ilhas onde a doença foi detetada ou por precaução a caça foi proibida", acrescentando que foram ainda "emitidos editais para prevenir a disseminação da doença para outras ilhas, nomeadamente proibindo a circulação de coelhos e seus derivados, assim como de cães de caça".

José Maria Arruda disse, no entanto, que viajou no mês passado com uma caixa de transporte de cães entre ilhas afetadas por este problema, sem qualquer restrição.

Os caçadores alegam que houve mão criminosa no aparecimento do vírus nos Açores, sublinhando que, tal como no passado, isso aconteceu numa altura em que havia grande densidade de coelhos nas pastagens.

Por sua vez, a direção regional dos Recursos Florestais, adiantou que não tendo qualquer "indício provável ou testemunho" da introdução criminosa do vírus na região, já "questionou o Ministério Público sobre as noticiadas queixas-crime, manifestando a pretensão de se constituir assistente no processo", estando a colaborar com a GNR.

A tutela salientou ainda que nunca recebeu qualquer pedido de esclarecimento ou de colaboração por parte do Clube de Caçadores de Vila Franca do Campo, alegando que tem estado disponível para debater esta questão em todos os fóruns e para "responder a todas as dúvidas".

Os caçadores mostraram-se também preocupados com o "bem-estar animal" dos cães de caça, que não podem agora ser soltos em terrenos e áreas com recursos cinegéticos.

Em resposta, o executivo açoriano disse que "têm sido disponibilizadas zonas para a libertação dos cães de caça, fora das épocas venatórias", mostrando-se disponível para "apoiar os caçadores e os seus representantes na criação de uma área destinada ao treino dos cães de caça, conforme previsto por lei, e assim sendo a sua vontade", na ilha de São Miguel.

Na Graciosa, a primeira ilha onde foi detetado o problema, não são encontrados coelhos mortos desde o final de dezembro. O mesmo acontece na Terceira e nas Flores desde o dia 11 de fevereiro e em São Jorge desde o dia 02, segundo revelou o executivo açoriano na semana passada.

Segundo a Direção Regional dos Recursos Florestais, "a atividade venatória nas ilhas ficará suspensa até que a Doença Hemorrágica Viral seja considerada extinta e os seus efeitos na população local de coelho-bravo sejam devidamente avaliados, sendo neste momento prematuro tirar ilações sobre o impacto efetivo na população de coelho-bravo ou sobre a possibilidade de, já na próxima época venatória, poder abrir a caça a esta espécie".

 



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