Governo dos Açores rejeita construção de nova escola em Capelas

Governo dos Açores rejeita construção de nova escola em Capelas

 

Lusa/AO Online   Regional   3 de Fev de 2016, 06:34

O Governo Regional dos Açores rejeitou hoje a construção de uma nova escola em Capelas, concelho de Ponta Delgada, ilha de São Miguel, como reivindicam os encarregados de educação, contrapondo com uma "intervenção profunda".

Numa reunião hoje à noite no estabelecimento de ensino, o secretário regional da Educação e Cultura, Avelino Meneses, explicou que “as condições estruturais, as vantagens de concretização de um compromisso de anos e o imperativo de boa gestão” dos recursos, determinam a construção de um novo bloco para substituir o D, encerrado por questões de segurança, e a requalificação dos outros edifícios e espaços da escola, “contemplando os interiores e exteriores e também as coberturas”.

Perante centenas de pessoas, entre alunos, professores, encarregados de educação e funcionários, Avelino Meneses explicou que a proposta de intervenção “já está em tratamento técnico”.

“Asseguro-vos aqui uma solução digna, cómoda, segura, em que todos os edifícios cumprirão os requisitos de qualidade exigidos para as instalações escolares do nosso tempo”, garantiu o governante, sustentando que “a intervenção será necessariamente profunda, incluindo a remoção de tetos com amianto”, mas também contemplando “passagens cobertas entre blocos e a reposição de pisos e revestimentos”.

O anúncio não mereceu, contudo, o acolhimento dos presentes, alguns dos quais dirigiram críticas, quase sempre secundadas de aplausos, ao secretário regional, que acusaram de defraudar as expectativas da comunidade.

“Quatro secretários regionais prometeram uma escola nova para aqui”, lembrou um docente, enquanto outra declarou que estão “fartos de promessas”, rejeitando remendos.

Uma outra professora leu um texto de uma aluna no qual descreve uma "escola velhinha”, com “portas podres e partidas” ou “cortinas rasgadas”, e onde os alunos “se molham todos”.

“Quero que o senhor perceba que não queremos promessas, queremos prática”, apelou, por seu turno, a representante dos alunos, Joana Jesus, depois de se ouvirem encarregadas de educação a dizerem que têm filhos doentes, atribuindo a situação ao estado de conservação da escola.

Em resposta, o secretário regional assegurou que a escola das Capelas, com cerca de 800 alunos, “não terá uma lavagem de cara”, mas “vai conferir aos novos espaços níveis de conforto, térmicos e acústicos adequados e também nos domínios da salubridade, funcionalidade, tecnologia e segurança”.

Avelino Meses anunciou ainda o encerramento temporário de duas oficinas, construídas na mesma data do bloco D, até ser conhecido o resultado da avaliação do Laboratório Regional de Engenharia Civil (LREC) que vai ser realizada na quarta-feira.

No final do encontro, de quase três horas, Noémia Ventura, uma das representantes dos pais, adiantou aos jornalistas que os encarregados de educação “vão unir esforços”, pois não querem “uma escola com remendos”.

“Não estamos satisfeitos”, avisou Noémia Ventura.

Já Avelino Meneses não se comprometeu com datas para o início da intervenção, referindo apenas que “os prazos para a escola das Capelas são técnicos” e não políticos, mas garantiu que “não demora um ano, dois anos, demora muito menos tempo”.

A 18 de janeiro passado, o bloco D da escola básica e integrada de Capelas foi encerrado por razões de segurança na sequência de um estudo do LREC.

Na segunda-feira, cerca de 500 pessoas, entre alunos, pais e professores, manifestaram-se à porta do estabelecimento para reivindicarem a construção de uma nova escola.

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