Governo dos Açores quer alargar formação de enfermeiros a ilhas mais pequenas

Governo dos Açores quer alargar formação de enfermeiros a ilhas mais pequenas

 

Lusa/AO online   Regional   6 de Jun de 2018, 14:58

O Governo Regional dos Açores pretende que no próximo ano letivo os centros de saúde das ilhas mais pequenas acolham ensinos clínicos de alunos de enfermagem, para promover a fixação de enfermeiros.

“Decorreu do facto de alguns concursos ocorrerem nessas ilhas e ficarem desertos, porque não há interessados. Queremos criar aqui uma dinâmica para os alunos já na fase de ensino irem a essas ilhas, conhecerem a realidade, terem uma experiência mais enriquecedora, que vai criar aqui a vontade de no futuro se fixarem”, adiantou, esta quarta-feira, em declarações aos jornalistas, o secretário regional da Saúde, Rui Luís.

O governante falava no final de uma reunião com a presidente da Escola Superior de Saúde da Universidade dos Açores, Cidália Frias, em Angra do Heroísmo.

Segundo Rui Luís, numa fase inicial será feito um levantamento das condições dos centros de saúde que ainda não acolhem ensinos clínicos (estágios realizados durante a licenciatura) e das necessidades de formação em supervisão clínica.

“Da parte da Escola Superior de Saúde há disponibilidade para efetuar um curso breve de supervisão clínica em cada um desses locais e a secretaria está disposta a colaborar”, adiantou, acrescentando que o objetivo é avançar com os ensinos clínicos já no próximo ano letivo.

O executivo açoriano vai definir também um conjunto de incentivos para os alunos, que poderão passar por apoios à deslocação, ao alojamento e à alimentação, em colaboração com as câmaras municipais.

Com departamentos nas ilhas Terceira e São Miguel, a Escola Superior de Saúde da Universidade dos Açores tem atualmente cerca de três centenas de alunos nos três primeiros anos da licenciatura em enfermagem e cerca de 70 que se preparam para terminar a formação este mês.

Segundo Cidália Frias, a extensão dos ensinos clínicos, que já se realizam em São Miguel, Terceira, Faial, Pico e São Jorge, às restantes ilhas, permite, por um lado, perceber a realidade dessas ilhas e, por outro, proporcionar uma experiência diferente aos alunos.

“Nas ilhas mais pequenas, onde não há hospital, eles têm todo o tipo de experiências. Qualquer doente que apresente uma determinada patologia recorre àquele serviço, portanto o profissional que lá está, está perfeitamente habilitado para o receber”, salientou.

O primeiro ensino clínico de enfermagem é realizado no final do primeiro ano, durante duas semanas, mas a duração e complexidade vai aumentando ao longo dos quatro anos de licenciatura.

O secretário regional da Saúde apelou ainda à disponibilização de oferta formativa na Escola Superior de Saúde em três áreas: cuidados continuados, cuidados paliativos e saúde mental.

“Estamos a falar de formação complementar que pode não passar pela especialidade, pode passar pela pós-graduação, por cursos breves de reciclagem, até por cursos que não sejam de licenciatura, mas que sejam para formação complementar de quem tem o 12.º ano ou a escola profissional”, adiantou.



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