Governo dos Açores diz que socorro à população não esteve em causa em Angra

Governo dos Açores diz que socorro à população não esteve em causa em Angra

 

Lusa/AO online   Regional   8 de Jan de 2018, 17:49

O Governo Regional dos Açores assegurou hoje que o socorro à população no concelho de Angra do Heroísmo “nunca esteve em causa", apesar de ter admitido desentendimentos entre a direção e o comando dos bombeiros.

“A associação tinha, durante o período noturno, duas ambulâncias disponíveis para o socorro às populações e com esses desentendimentos e a saída de alguns voluntários deixou de ser possível essa segunda ambulância. Nunca esteve em causa o socorro à população, até porque na ilha Terceira temos o número de ambulâncias suficiente para o efeito”, adiantou o secretário regional da Saúde.

Rui Luís falava, em declarações aos jornalistas, em Angra do Heroísmo, à margem de uma audição na Comissão de Política Geral da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRAA), na sequência de um pedido do CDS-PP, face a notícias de irregularidades e desentendimentos entre direção e comando na Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Angra do Heroísmo.

Os bombeiros, que antes tinham duas ambulâncias ao serviço no período da noite, uma no quartel em Angra do Heroísmo e outra na secção dos Altares, na zona noroeste da ilha Terceira, passaram a ter apenas uma, mas segundo o presidente do Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros Voluntários dos Açores (SRPCBA), Carlos Neves, juntando as duas ambulâncias disponíveis nesse período nos bombeiros da Praia da Vitória, a ilha Terceira tinha meios suficientes para assegurar o serviço aos seus cerca de 54 mil habitantes.

Segundo o presidente da direção dos bombeiros de Angra do Heroísmo, Alcino Meneses, também ouvido em comissão, a situação voltou à normalidade, no final da semana passada, depois de o Governo Regional ter assegurado um incremento de 12% no financiamento do serviço de emergência pré-hospitalar.

“Já recebemos um ofício a dizer que iríamos receber mais cerca de 12%. É com este dinheiro que nós temos o financiamento necessário para a ambulância durante a noite”, adiantou, em comissão.

De acordo com Alcino Meneses, o serviço noturno na secção dos Altares era assegurado, em regime de voluntariado, pelos bombeiros com salário, ao contrário do que acontecia no quartel, mas face ao acumular de horas de voluntariado os bombeiros terão decidido deixar de prestar esse serviço.

O deputado do CDS-PP Artur Lima questionou o secretário regional da Saúde e o presidente do SRPCBA pelos motivos pelos quais não ordenaram uma inspeção ou uma auditoria para apurar os desentendimentos entre a direção e o comando, mas Rui Luís salientou que as associações humanitárias de bombeiros têm autonomia própria e disse que a tutela tentou resolver o assunto com diálogo.

“Ouvimos todas as partes envolvidas: os bombeiros assalariados e voluntários, o comando e a direção. Daí resultou um conjunto de recomendações que emanamos para a direção da associação, no sentido de ajudar a regularizar a situação”, adiantou.

O comandante dos bombeiros de Angra do Heroísmo foi suspenso em outubro, por ter sido constituído arguido no caso Asclépio, que investiga situações de alegada corrupção no Serviço Regional de Saúde dos Açores.

Entretanto, os dois adjuntos do comandante demitiram-se e 2.º comandante apresentou a demissão, mas não foi aceite.

Alcino Meneses disse que já foi pedido um “parecer jurídico” para saber se é possível substituir o comandante, mas por enquanto não é possível nomear novos adjuntos, porque essa função cabe ao comandante.

O atual presidente da direção, que substituiu o anterior, em abril, garantiu, no entanto, que direção e comando estão atualmente “em sintonia”.

Artur Lima referiu ainda, em audição, algumas irregularidades de gestão, relacionadas com recibos verdes com valores errados, transferências financeiras para a conta do anterior presidente, utilização de viaturas para benefício próprio e sobrefaturação.

Segundo Alcino Meneses, como o antigo presidente já saiu da direção e não estavam em causa “irregularidades de grande monta” não foi pedida uma auditoria às contas, mas a medida está a ser ponderada.

“Atendendo à visão pública que isto já começa a ter ainda vamos reconsiderar se vamos ou não pedir essa auditoria”, salientou.



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