Governo dos Açores diz que o atual modelo de transportes marítimos de carga é adequado

Governo dos Açores diz que o atual modelo de transportes marítimos de carga é adequado

 

Lusa/AO Online   Regional   28 de Jan de 2016, 18:22

O secretário regional do Turismo e Transportes dos Açores considerou hoje que o atual modelo de transportes marítimos de carga dá uma "resposta adequada" às necessidades das várias ilhas, acusando o CDS-PP de propor estudos desnecessários.

"Não há necessidade de fazer estudos porque o quadro regulamentar atual permite haver as variantes que se quiser, de forma a satisfazer aquilo que nós consideramos como sendo fatores dos quais nunca devemos abdicar, ou seja, garantir o mesmo preço para todas as ilhas, garantir os toques em todas as ilhas, criando aqui fatores de coesão económica, social e territorial entre as ilhas da região", frisou, em declarações aos jornalistas, Vítor Fraga.

O secretário regional do Turismo e Transportes falava à margem de uma audição na Comissão de Economia da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, na sequência de um projeto de resolução apresentado pelo CDS-PP, que recomenda ao Governo Regional a realização, num período de seis meses, de um estudo de viabilidade económica que compare diferentes modelos de transporte e que "contemple e articule o transporte de carga do continente para os Açores e a distribuição da carga inter-ilhas".

Na audição, em Angra do Heroísmo, Vítor Fraga considerou que a proposta dos centristas era "irrealista" e "pura demagogia com fins eleitoralistas", alegando que só para definir os diferentes modelos existentes seria necessário um ano.

Os deputados da oposição alegaram que se o problema era a falta de tempo a proposta poderia ser alterada, mas o secretário regional reiterou que o atual enquadramento legal já permite diferentes variantes, que não são seguidas pelos armadores, porque "não há racionalidade económica", e acrescentou que "não cabe ao Governo fazer estudos sobre a atividade privada das empresas".

Nos considerandos da proposta, o CDS-PP salienta que "a economia açoriana está estrangulada pelos transportes", havendo sucessivas queixas de empresários sobre as dificuldades de escoamento de produtos, "ora por falta de capacidade de carga, ora porque os horários não estão devidamente articulados, ora porque simplesmente o navio não escala e os produtos perecíveis ficam a apodrecer em cima do cais ou nos terminais de carga".

Vítor Fraga disse, no entanto, que estas considerações não correspondiam à verdade e apontou que "99% das dificuldades" do transporte marítimo de carga advêm das condicionantes climatéricas ou das greves de estivadores.

O secretário regional disse que o único modelo alternativo ao já apresentado do seu conhecimento, da autoria da Câmara de Comércio de Angra do Heroísmo, previa a existências de apenas dois portos com ligação direta ao continente português, mas isso incrementaria os custos e obrigaria à subsidiação do transporte inter-ilhas.

A Comissão de Economia debateu ainda uma proposta do CDS-PP para alargar a operação marítima de passageiros e viaturas com os navios “Gilberto Mariano” e “Mestre Simão” a todo o grupo central e durante todo o ano.

No entanto, segundo o presidente do conselho de administração da empresa pública de transportes marítimos Atlânticoline, João Ponte, essa alteração "não faz sentido", uma vez que as distâncias entre as ilhas São Jorge, Terceira e Graciosa são "muito longas" e a agitação marítima no inverno iria causar "desconforto" aos passageiros e cancelamentos.

Segundo Vítor Fraga, a opção do executivo açoriano nas rotas entre estas três ilhas foi apostar no transporte aéreo e mesmo assim a procura entre São Jorge e a Graciosa é reduzida.


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