Governo dos Açores deveria ter impedido saída de Luís Parreirão da SATA

Governo dos Açores deveria ter impedido saída de Luís Parreirão da SATA

 

Lusa/AO Online   Regional   9 de Dez de 2015, 15:47

O deputado do PPM no parlamento dos Açores, Paulo Estêvão, defendeu hoje que o Governo Regional deveria ter recusado o pedido de demissão do presidente da administração da companhia aérea SATA, Luís Parreirão.

Falando no plenário da Assembleia Regional, na Horta, Paulo Estêvão repetiu que o administrador público só deveria ter saído após conhecidas as conclusões da comissão parlamentar de inquérito criada para apurar responsabilidades sobre a situação financeira da empresa de capitais públicos.

"É ou não correto que haja mudanças na SATA a meio de uma comissão de inquérito?", questionou o deputado monárquico, para logo a seguir responder que "isso não se faz" e que "o governo deveria ter recusado" o pedido de demissão de Luís Parreirão.

Paulo Estevão entende, no entanto, que o executivo quis "agarrar a oportunidade" para "antecipar o tempo político" e tentar dar um "ar de renovação" na transportadora regional antes de conhecidas as conclusões da investigação.

"Enquanto a oposição desaparece no período sabático que dura a comissão de inquérito, o Governo Regional reserva-se o direito de comprar e vender aviões, desenhar e apagar rotas, demitir e nomear presidentes do conselho de administração e concretizar tudo o mais que lhe passar na cabeça", criticou o parlamentar.

Contudo, o presidente do executivo, Vasco Cordeiro, lembrou que Luís Parreirão saiu da SATA para abraçar um novo projeto profissional e não para branquear qualquer outra matéria relacionada com a gestão da empresa ou com a comissão de inquérito em curso.

"O governo tem, nesta matéria, a sua consciência perfeitamente tranquila. Quer no ciclo político anterior, quer neste novo ciclo político, tenho também a minha consciência perfeitamente tranquila com aquilo que decidi bem ou com aquilo que, por incapacidade minha ou por qualquer outro motivo, poderia ter decidido melhor", sustentou Vasco Cordeiro.

O chefe do executivo recordou, por outro lado, que o trabalho da comissão de inquérito à SATA abrange apenas a gestão da transportadora aérea regional no período entre 2009 e 2014, ou seja, anterior à entrada de Luís Parreirão.

Artur Lima, do CDS-PP, considerou, porém, que o principal responsável pela eventual má gestão da SATA é Vasco Cordeiro, que foi secretário regional da Economia no anterior governo socialista.

Já Zuraida Soares, do Bloco de Esquerda, lamentou que o governo continue a "interferir" na gestão da SATA, dando como exemplo o recente anúncio do secretário regional dos Transportes, Vítor Fraga, de que a companhia aérea iria reforçar os seus voos para a Horta.

"É natural que haja ingerências na SATA", admitiu Francisco César, da bancada do PS, acrescentando que é ao governo que compete definir as linhas orientadoras da empresa pública.

Para Jorge Macedo, do PSD, a gestão da companhia aérea açoriana tem sofrido um verdadeiro "rebuliço", recordando que nos últimos quatro anos entraram e saíram da SATA nove administradores diferentes.

Aníbal Pires, do PCP, acrescentou que é necessário uma nova política para a SATA, com uma gestão "eficaz e transparente", com menos “instabilidade" e menos "ingerências" do governo.

A 30 de novembro, o executivo anunciou que o Luís Parreirão iria deixar a presidência do conselho de administração da transportadora açoriana "por razões profissionais, relativas a um projeto empresarial privado", sendo substituído por Paulo Menezes.

O comunicado não indicava uma data concreta para a substituição.

Paulo Menezes é licenciado em Engenharia Eletrotécnica pelo Instituto Superior Técnico e detentor do Programa Avançado de Gestão para Executivos, da Universidade Católica Portuguesa.

 



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