Governo açoriano pode falhar objetivo de ter médicos de família para todos

Governo açoriano pode falhar objetivo de ter médicos de família para todos

 

Lusa/AO Online   Regional   25 de Nov de 2015, 05:11

O Governo dos Açores poderá não conseguir alcançar o objetivo traçado no início da legislatura de ter médicos de família para todos os açorianos até ao final de 2016.

 

Quem o reconheceu foi o deputado socialista, José San Bento, durante um debate sobre as propostas de Plano e Orçamento da Região para o próximo ano, que estiveram hoje em discussão na sede do Parlamento, na cidade da Horta.

"Pode acontecer que, no final de 2016, o PS não tenha conseguido cumprir a 100 por cento esse compromisso, mas digo-lhe com toda a franqueza, foi um compromisso assumido olhos nos olhos com os açorianos", admitiu o parlamentar socialista.

José San Bento respondia às críticas feitas por Luís Maurício, da bancada do PSD, que insistia no parlamento para que o secretário regional da Saúde admitisse que aquele era um compromisso "falhado".

"Falhou o objetivo político por si definido, senhor secretário regional, de que os açorianos em 2016 teriam todos médicos de família", frisou o parlamentar social-democrata, lamentando que nesta altura ainda existam "67 mil açorianos sem médicos de família".

O secretário regional da Saúde, Luís Cabral, não admitiu em plenário que estava perante um objetivo falhado, preferindo, ao invés, realçar o aumento gradual de médicos de famílias colocados no Serviço Regional de Saúde.

De acordo com os dados fornecidos pelo governante, nesta altura, "só 55 mil açorianos" não dispõem ainda de médico de família, problema que executivo espera ver minimizado com a criação de novos "núcleos de saúde familiar" em várias ilhas.

Mas Artur Lima, do CDS, acusa o Governo de contratar aquilo a que chamou de "mercenários", para aumentar o número de utentes com médico de família, ou seja, médicos que vem aos Açores para desempenhar funções num curto período de tempo.

Além dos médicos de famílias, as listas de espera foi outro tema que esteve no centro do debate parlamentar.

Segundo Luís Cabral, existem atualmente 9.422 açorianos em listas de espera cirúrgicas nos três hospitais da Região (Ponta Delgada, Angra do Heroísmo e Horta).

Mas Artur Lima acusa o executivo de esconder alguns números: "Há doentes inscritos desde 2010, mas que o senhor acabou com eles. Aliás, tem sido política do PS acabar com a informação transparente em saúde".

Para Luís Maurício, do PSD, o problema das listas de espera para cirurgias só se resolve quando os médicos começarem a operar "fora do horário normal de trabalho", medida que o executivo socialista pondera agora estudar.

O Governo Regional reserva no Orçamento para 2016, uma verba superior a 290 milhões de euros, destinada a "equilibrar" as contas do setor da Saúde, que tem sofrido, ao longo vários anos, de um problema de subfinanciamento.


Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
 
Termos e Condições de Uso.