Gestão do mar e fim da maioria absoluta do PS dominam campanha

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A campanha para as eleições de domingo nos Açores chegou às nove ilhas do arquipélago, tendo a gestão do mar e os apelos ao fim da maioria absoluta do PS dominado a discussão.
 

A campanha para o parlamento regional, que termina à meia-noite de sexta-feira (mais uma hora em Lisboa), foi até hoje pouco ruidosa, envolveu comitivas reduzidas no contacto com a população, e foi parca em 'outdoors', inexistentes em zonas mais turísticas como as Sete Cidades, mas que se avistavam em rotundas ou em estradas principais. As enchentes aconteceram apenas em jantares a preços simbólicos.

As ausências no período oficial de campanha dos líderes nacionais do PS, António Costa, e do PSD, Pedro Passos Coelho, em contraste com as presenças de Assunção Cristas (CDS-PP), Catarina Martins (BE) e Jerónimo de Sousa (PCP) também foram um dos assuntos da campanha.

Nas ações de campanha, os partidos da oposição ao PS manifestaram repetidamente o apelo à mudança e contra as maiorias absolutas dos socialistas, que se verificam neste arquipélago há 16 anos consecutivos.

Vasco Cordeiro, líder do PS/Açores e candidato a presidente do Governo Regional, respondeu, no segundo dia de campanha, a Assunção Cristas sobre a lei de gestão do mar.

"Foi pela mão do CDS-PP e, em concreto, pela mão da doutora Assunção Cristas, que um dos maiores atentados à autonomia dos Açores se consumou com ela como ministra [da Agricultura], exatamente naquilo que tem a ver com a legislação relativa à exploração dos recursos do mar, em que os Açores foram espoliados dos direitos que devem ser seus e essa é uma responsabilidade da doutora Assunção Cristas", declarou Vasco Cordeiro.

Esta posição suscitou depois reações, desde logo da própria Assunção Cristas, que se encontrava no arquipélago em campanha.

"Felizmente, aprovámos a nível nacional uma Lei de Bases de Ordenamento e Gestão do Espaço Marítimo que nos permite também olhar para o mar como uma fonte de riqueza, o mar que é de todos os portugueses e que também é dos açorianos e por isso tem uma gestão partilhada", respondeu Cristas.

Mas para a líder regional do BE e cabeça de lista pelo círculo eleitoral de São Miguel, Zuraida Soares, "a lei que configura o maior atentado à autonomia dos Açores (...), aquilo a que o Bloco chamou a privatização do mar, foi aprovada na Assembleia da República com os votos favoráveis do PSD, do CDS e do PS e com os votos contra do BE, PCP e "Verdes".

Logo depois, o líder do CDS-PP/Açores, Artur Lima, candidato pela ilha Terceira, desafiou o BE a convencer o PS a alterar a legislação.

Artur Lima ironizou afirmando ter estranhado que a coordenadora nacional do BE, Catarina Martins, não tenha prometido "a nacionalização do mar".

Sem se referir diretamente à polémica, o líder do PSD/Açores, Duarte Freitas, optou por criticar o PS dizendo que o Governo açoriano tem primeiro de "reconhecer que errou na gestão da pesca".

A CDU, por seu turno, alertou para as desigualdades sociais da comunidade piscatória de Rabo de Peixe, uma das mais desfavorecidas da região e onde vivem perto de 10.000 pessoas, que considerou "esquecida pelo poder politico".

Outra singularidade desta campanha foi o facto de o presidente do PPM e candidato pelo círculo eleitoral do Corvo, Paulo Estevão, ter optado por ficar praticamente todo o período de campanha na mais pequena ilha do arquipélago, onde espera a reeleição.

Ao mesmo tempo, o candidato do PPM pelo círculo de São Miguel, Paulo Gusmão, decidiu na segunda-feira passada terminar, antecipadamente, a sua campanha.

Dos restantes partidos - MAS - Movimento Alternativa Socialista, o Partido Democrático Republicano (PDR), o PURP - Partido Unido dos Reformados e Pensionistas, o Livre, o PAN -- Pessoas-Animais-Natureza, o Partido da Terra (MPT) e o PCTP-MRPP -- ou não divulgaram iniciativas ou limitaram-se a pequenas ações de campanha.