Gestão de resíduos nos Açores poderá gerar volume de negócios superior a 10 ME

Gestão de resíduos nos Açores poderá gerar volume de negócios superior a 10 ME

 

Lusa/AO Online   Regional   14 de Jan de 2016, 05:00

A gestão da rede de centros de processamento de resíduos nos Açores, que está ainda em fase de construção, poderá vir a gerar um volume de negócios anual superior a 10 milhões de euros.

 

A estimativa foi hoje avançada pelo secretário regional da Agricultura e Ambiente, Neto Viveiros, durante a apresentação no parlamento dos Açores do Plano Estratégico de Prevenção e Gestão de Resíduos (PEPGRA), aprovado apenas com os votos favoráveis da bancada da maioria socialista.

Segundo explicou o governante, quando estiverem em pleno funcionamento, os Centros de Processamento de Resíduos e os Ecoparques de São Miguel e da Terceira "empregarão diretamente mais de 150 trabalhadores" e prevê-se que, no seu conjunto, "venham a gerar um volume de negócios anual superior a 10 milhões de euros".

No entender de Neto Viveiros, está a ser operada uma autêntica "revolução silenciosa" no arquipélago, no que à gestão de resíduos diz respeito, considerando mesmo que esta é "uma das mais importantes reformas estruturais alguma vez operada nos Açores".

O titular da pasta do Ambiente nas ilhas lembrou que está a decorrer o processo de selagem de lixeiras e de aterros em toda a região, para que os resíduos passem a ser transformados apenas nos centros de processamento que estão a ser construídos.

Segundo explicou, já estão concluídas as obras de selagem dos espaços de deposição de resíduos na Graciosa e nas Flores, num investimento superior a dois milhões de euros e já estão consignadas as obras de selagem dos aterros de Santa Maria e do Corvo.

"No decurso de 2016, desencadearemos os procedimentos com vista à selagem dos dois aterros de São Jorge e do aterro do Faial", acrescentou o governante.

De acordo com os números entretanto recolhidos pelo Governo, a valorização de resíduos nos Açores terá aumentado de 13% em 2012 para 23% em 2014, ao passo que os depósitos em aterro reduziram de 87% para 77%.

Apesar dos números, os partidos da oposição levantaram muitas reservas em relação às metas lançadas pelo executivo e recordaram as obras anunciadas, mas ainda não concretizadas.

Aníbal Pires, deputado do PCP, lembrou que "o passivo ambiental das velhas lixeiras" ainda subsiste em algumas ilhas, "continuando a contaminar subsolo, aquíferos e águas costeiras", ao passo que os "velhos aterros" ainda em funcionamento "têm sido alvo de um total desinvestimento".

Também Luís Rendeiro, da bancada do PSD, destacou os "atrasos" que se verificam na implementação das metas traçadas pelo Governo socialista em matéria de construção de centros de processamento de resíduos, lembrando que, no caso da central da ilha Terceira, têm-se verificado um gasto muito elevado de gasóleo, ao passo que em São Miguel, o processo está "muito atrasado".

Já Graça Silveira, da bancada do CDS, considerou descabidas as referências no diploma à política de sensibilização para o uso de fraldas reutilizáveis, como forma de reduzir a produção de resíduos, questionando o Governo sobre se pretende implementar essa medida nos lares de idosos e nas creches da Região, para acabar com as fraldas descartáveis.

O diploma, que esteve em fase de discussão pública no final do ano passado, defende o prolongamento do ciclo de vida dos materiais, a reutilização de produtos, a redução de resíduos e a diminuição do impacto ambiental, mas apesar das suas boas intenções, não convenceu os partidos da oposição.

O PEPGRA foi aprovado apenas com os votos favoráveis dos deputados da bancada do PS, ao passo que o PCP e o BE votaram contra e o PSD, o CDS e o PPM abstiveram-se.

 

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