Geoparques contribuem para o desenvolvimento sustentável dos territórios

Geoparques contribuem para o desenvolvimento sustentável dos territórios

 

Lusa/AO Online   Regional   6 de Set de 2017, 08:50

O geólogo açoriano João Carlos Nunes defendeu hoje que os geoparques podem contribuir para o desenvolvimento sustentável dos territórios permitindo a sua visitação por turistas em harmonia com a sua preservação dos espaços.


“Como é que os geoparques podem contribuir para o desenvolvimento sustentável? É assegurando que as atividades, a promoção e a visibilidade que dão aos territórios permitam a sua visitação, o que é importante porque gera o desenvolvimento económico”, declarou à agência Lusa o coordenador científico do GeoParque dos Açores.

João Carlos Nunes salvaguardou, contudo, que os geoparques, como “têm uma componente muito importante de preservação e de sustentabilidade, não podem ter atividades, neste caso turísticas, que ponham em causa a mesma viabilidade dos territórios”.

“Queremos que as pessoas visitem os Açores porque são, de facto, um local de exceção do ponto de vista geológico e vulcanológico, mas a vinda dos turistas tem que ser feita com conta, peso e medida, tendo os geoparques esta preocupação”, referiu o especialista.

O Geoparque Açores é constituído por uma rede de geossítios, dispersos pelas nove ilhas e zona marinha envolvente do arquipélago, garantindo a “representatividade da geodiversidade” com estratégias de conservação e promoção comuns, estando baseado numa estrutura de gestão apoiada em todas as ilhas.

João Carlos Nunes, que coordena a 14ª Conferência de Geoparques Europeus, a realizar de quinta a sábado, em Ponta Delgada, destaca que “existe um conjunto muito vasto de locais” cujos turistas podem potencialmente visitar, o que contribui para que “haja mais pessoas no território”, evitando-se, assim, que a concentração excessiva “coloque em causa a sua sustentabilidade”.

“Há que diversificar a oferta para a promover a sustentabilidade e dando várias hipóteses aos visitantes, ‘obrigando-os’ a não se concentrarem apenas num ou dois pontos de visitação”, frisou o geólogo.

O responsável referiu que “uma das componentes dos geoparques, para além da preservação do património geológico, logo após a sensibilização ambiental, é o desenvolvimento local dos territórios onde estão implantados”.

“No caso dos Açores, uma das componentes do desenvolvimento socioeconómico passa pelo turismo, cujo principal produto é o turismo natureza, e, dentro deste conceito, o geoturismo ligado à temática da terra, da geologia, tem um nicho importante”, disse.

Na 14ª Conferência de Geoparques Europeus, que é promovida pelo Geoparque Açores e Geoparque Mundial da Unesco, segundo a organização do evento estão inscritos cerca de 360 participantes provenientes de 35 países, sendo 26 oriundos da Europa, vindo os restantes da Austrália, Brasil, Colômbia, México, China, Japão, Irão, Canadá e Estados Unidos da América.

No âmbito da iniciativa realiza-se hoje uma reunião do Comité Executivo da Rede Europeia de Geoparques (EGN), bem como do Comité Coordenador da EGN, quarta-feira.

A iniciativa integra, ainda, uma (Geo)Feira que pretende “promover o geoturismo europeu e demonstrar a importância deste produto turístico como importante ferramenta de desenvolvimento local sustentável”.

A Rede Europeia de Geoparques, criada em 2000, é constituída atualmente por 70 geoparques de 23 países europeus.

 


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