Geografia é o "principal trunfo" dos Açores

Geografia é o "principal trunfo" dos Açores

 

LUSA/AO online   Economia   25 de Mai de 2017, 14:01

O presidente da delegação da Comissão de Desenvolvimento Regional do Parlamento Europeu considerou hoje que a geografia é o "principal trunfo" dos Açores, destacando as potencialidades da região na economia marítima e na investigação científica

"É verdade que a geografia é vista como uma desvantagem. Ela é uma desvantagem para as regiões ultraperiféricas, que estão longe do continente europeu, mas nos Açores a geografia é, também, uma vantagem extraordinária. É o principal trunfo dos Açores”, salientou Younous Omarjee no final de uma visita de três dias aos Açores.

Younous Omarjee destacou a potencial do Porto da Praia da Vitória, na ilha Terceira, onde a delegação de vários eurodeputados esteve na quarta-feira.

“O crescimento da economia marítima mostra a importância que a insularidade pode ter. Vimos também a posição geoestratégica extraordinária e o posicionamento comercial extraordinário dos Açores”, declarou.

Por outro lado, o presidente da delegação realçou, ainda, o potencial de investigação científica do arquipélago, pela sua natureza e biodiversidade e por ser uma região vulcânica, sugerindo a criação de um programa europeu de investigação sobre vulcanologia e sismologia, que envolvesse, além dos Açores, Madeira, Canárias, Guadalupe, Maiote e Reunião.

O responsável admitiu, no entanto, que os Açores têm vários problemas, reconhecendo o impacto do fim das quotas leiteiras.

“A nossa comissão tem trabalhado de perto com a Comissão da Agricultura na discussão de um novo quadro de intervenção neste contexto, mas não devo falar de coisas pelas quais não tenho responsabilidade”, adiantou.

Younous Omarjee reiterou a importância de se manter na União Europeia uma política regional, que promova a coesão e a redução das disparidades entre regiões, independentemente da criação de outros instrumentos financeiros, como o Plano Juncker.

“Queremos que as subvenções se mantenham, porque são essas subvenções que permitem a realização dos fundamentos da política regional, nomeadamente a solidariedade, e que permitem compensar as dificuldades das regiões que, por serem ultraperiféricas, são menos atrativas que as metrópoles no coração do continente europeu”, frisou.

Também a eurodeputada açoriana Sofia Ribeiro defendeu que os novos instrumentos financeiros sejam complementares, mas não devem substituir as políticas de coesão.

“Os níveis de afastamento, os níveis de insularidade, a dificuldade acrescida de investimento, os constrangimentos de transporte não permitem o acesso aos mesmos níveis de competitividade que tem uma região central europeia”, observou.

Por sua vez, a deputada Liliana Rodrigues, da Madeira, realçou a boa execução de fundos comunitários nos Açores, destacando a sua importância nos últimos anos.

“Sem a Política de Coesão [a principal política de investimento da União Europeia], a crise que nos assolou entre 2008 e 2014, mas que ainda se sente, teria sido acentuada em mais 50%”, acrescentou.


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