Galileo é sistema de localização por satélite europeu mais preciso que GPS


 

Lusa/Açoriano Oriental   Economia   15 de Dez de 2016, 16:30

O novo sistema europeu de localização por satélite, o Galileo, entrou hoje em funcionamento - vários anos depois dos homólogos norte-americano, o GPS, e russo, o GLONASS - mas com o objetivo de chegar a 2020 como o mais preciso dos três.

 

A atual rede de satélites do Galileo tem 18 aparelhos, mas em 2020 este número ascenderá aos 30 satélites, em órbita estacionária a 23,2 quilómetros de altitude.

Batizado com o nome do astrónomo italiano Galileo Galilei, precursor da investigação aos corpos celestiais, a sistema de satélites europeu será compatível (e interoperável) com o GPS e o GLONASS, mas também será capaz de funcionar sozinho.

Ao contrário dos homólogos - que são sistemas geridos por militares - o Galileo será controlado a nível civil, pelo que deverá ficar imune a restrições aplicadas a estes sistemas em caso de conflito militar.

No próximo ano serão colocados em órbita mais quatro satélites Galileo, e em 2018 outros quatro. O objetivo é que o sistema - orçado em mais de 10 mil milhões de euros e pago pela Comissão Europeia - esteja operacional a 100 por cento até 2020.

O Galileo usa os mais precisos relógios atómicos - quatro em cada satélite - alguma vez usados para funções de geolocalização.

Tal como os relógios tradicionais que usam o movimento pendular para marcar e contabilizar a passagem do tempo, os relógios atómicos também contam oscilações regulares, mas neste caso as mudanças de estado energético dos átomos ao serem estimulados por luz ou calor.

Os aparelhos Galileo em órbita também estão equipados com potentes transmissores, para enviar - à velocidade da luz - um sinal de rádio com a hora e o local preciso na órbita terrestre de onde foi emitido.

O tempo que o sinal leva a chegar ao recetor é então usado para calcular a distância do mesmo até ao satélite.

Com vários sinais ao mesmo tempo, é então possível determinar com precisão as coordenadas do utilizador. São precisos quatro sinais para determinar a longitude, a latitude, a altitude e o fuso horário em que o utilizador está.

Na geolocalização, um erro de um bilionésimo de segundo no relógio do satélite pode resultar num desvio de até 30 centímetros. Os relógios do Galileo serão precisos até um segundo em cada três milhões de anos.

Uma vez 100 por cento operacional, o Galileo quer indicar qualquer posição na terra com um desvio máximo de um metro. Nas suas utilizações civis, o GPS e o GLONASS têm desvios (induzidos) de vários metros. Em uso militar, o GPS e o GLONASS são muito mais precisos que no uso civil.

Os clientes pagantes do Galileo poderão também obter medições ainda mais precisas, ao nível dos centímetros.

Além da navegação por satélite, o Galileo terá uma função de busca e resgate, bem como outra - encriptada - para serviços governamentais como transportes e emergência, forças policiais, controlo de fronteiras e "Missões de Paz".

Todos os carros novos vendidos na Europa em 2018 terão instalado o Galileo para navegação e chamadas de emergência.


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