Futuro dos Açores passa pelo marketing e novas tecnologias


 

Lusa/AO Online   Regional   10 de Abr de 2015, 06:26

Os Açores devem apostar no marketing do arquipélago junto de mercados externos, explorar recursos endógenos subaproveitados e apostar nas novas tecnologias para conseguir um novo ciclo de crescimento, defenderam gestores e peritos de diversas áreas.

 

Estas foram algumas ideias que passaram hoje pelo IV Fórum Franklin D. Roosevelt, organizado pela Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) e pelo Governo Regional dos Açores, que decorre nas Lajes do Pico até sexta-feira e tem como tema "estratégias de desenvolvimento sustentável".

O presidente da IBM Portugal, António Raposo de Lima, deu o exemplo de Singapura, um pequeno território situada no extremo de uma península que em algumas décadas passou de uma economia de "terceiro mundo" para uma outra baseada no conhecimento, na investigação e na tecnologia, ostentando hoje um rendimento per capita superior ao dos Estados Unidos da América.

António Raposo de Lima considerou que os Açores devem também apostar nas potencialidades da tecnologia e da facilidade da comunicação e transformarem-se em 'smart islands', capazes de atrair investimento, criar uma oferta turística inovadora e dar mais competitividade às suas empresas e a todos os seus setores estratégicos.

A "questão da insularidade" está não só ultrapassada com as novas tecnologias, como se torna até numa oportunidade neste contexto, considerou.

Já Michael Lake, que preside à organização Leading Cities, defendeu que os Açores têm de apostar no seu próprio 'marketing' no exterior, sublinhando que quem visita o arquipélago fica fascinado, mas poucas pessoas e mercados conhecem ou sequer ouviram falar das ilhas.

O norte-americano considerou que os Açores têm de construir uma marca e vendê-la ao mundo, mas sublinhou que isso vai para além da criação de um simples logotipo e é um processo que requer "coordenação, dedicação" e, sobretudo, tempo.

Outra proposta que passaram pelo auditório do Museu dos Baleeiros das vila das Lajes do Pico hoje veio de Jeremy Backlar, do Atelier Backlar, de arquitetura, que expôs as potencialidades da exploração de um recursos natural que existe em abundância nos Açores mas é muito pouco aproveitado, a madeira de criptoméria.

Jeremy Backlar sublinhou que 9% do território dos Açores está ocupado com floresta de criptoméria e que 37% dessas árvores têm mais de 30 anos, por os açorianos não verem as potencialidades da sua exploração.

O Governo Regional lançou no ano passado os primeiros concursos públicos para corte e venda da madeira de criptoméria de matas públicas. A maioria foi exportada para fora das ilhas.

Jeremy Backlar sublinhou, na sua intervenção, as mais-valias ambientais, económicas e outras da utilização, localmente, da madeira na construção de edifícios, por exemplo, em comparação com o betão.


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