Fundação Oceano Azul quer ter "palavra na agenda internacional dos oceanos"

Fundação Oceano Azul quer ter "palavra na agenda internacional dos oceanos"

 

Lusa/Açoriano Oriental   Nacional   8 de Jun de 2017, 12:11

A Fundação Oceano Azul, gestora do Oceanário de Lisboa, que participa na Conferência dos Oceanos, a decorrer na ONU, em Nova Iorque, "tem a ambição de ter uma palavra na agenda internacional dos oceanos", disse o presidente da instituição.

"Queremos ter essa palavra e uma conferência como esta é importante para o fazermos", disse Tiago Pitta e Cunha, sublinhando que a fundação portuguesa é uma de apenas três fundações a participarem na conferência dedicada à utilização sustentável dos oceanos, que reúne 193 países.

"Entre todas as organizações não-governamentais registadas na conferência, estão apenas a Fundação Packard e a Fundação Waitt, que são grandes fundações americanas, e a nossa. Há, portanto, este espaço que queremos preencher para exercer liderança na área da conservação do oceano", adiantou o presidente executivo da Oceano Azul, criada pela Sociedade Francisco Manuel dos Santos.

A Conferência dos Oceanos é o primeiro grande evento da ONU dedicado aos oceanos desde a negociação da Convenção sobre o Direito do Mar nos anos 1970.

Tiago Pitta e Cunha defendeu que o evento "tem muita importância porque coloca os oceanos no centro das deliberações de um organismo tão importante como as Nações Unidas" e porque se passaram cinco décadas desde que a organização tomara uma decisão semelhante.

"Já na altura os cientistas explicaram que não podíamos continuar a explorar o mar da forma não sustentável que estávamos a fazer. De alguma forma, deixámos que se passassem 50 anos, pelo menos duas gerações, sobre isso", disse.

No Dia Mundial dos Oceanos, que se assinala hoje, o antigo conselheiro de Cavaco Silva lamenta que "os oceanos continuem a ser afetados, no seu equilibro ambiental e climático, muito além daquilo que as pessoas sabem."

"Há um enorme fosse entre o que sabem os cientistas e o que sabem as pessoas e os próprios decisores. Não existe esta consciência, como já existe em outras áreas, como das florestas ou do clima", afirmou, adiantando que "ainda se desconhecem muitas coisas sobre os oceanos, mas o que já se sabe é suficiente para agir de forma muito decidida."

"Há uma quantidade de recursos que estão a ser delapidados a uma grande velocidade. Nem os cientistas mais pessimistas conseguiram prever, no final de 2015, que o ano passado seria o pior de sempre para os corais e que 40 por cento dos corais desapareceriam", diz.

Pitta e Cunha lamenta que ainda não tenha sido possível lançar um "apelo à consciencialização que permita gerar ação concreta", mas defende que essa transformação acontecerá na sociedade civil.

"Não vamos conseguir fazer [esse apelo] através de conversas entre especialistas. Temos de as trazer até à sociedade. O maior peso desta conferência talvez esteja ligado ao setor não-governamental, onde noto mais dinamismo e onde foram organizados um conjunto de eventos laterais que reúnem muito conhecimento, muita informação e muita experiência", explica.

A Conferência dos Oceanos termina na sexta-feira com a adoção por todos os países-membros da ONU de um documento político que foi negociado pelo embaixador de Portugal na ONU, Álvaro Mendonça e Moura, em conjunto com o seu homólogo de Singapura.

Portugal ofereceu-se entretanto para acolher a próxima edição do evento em 2020.


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