Fundação Liga pioneira na inclusão social apoia cerca de 600 pessoas por dia

Fundação Liga pioneira na inclusão social apoia cerca de 600 pessoas por dia

 

Lusa/AO Online   Nacional   29 de Jan de 2016, 07:39

A Fundação Liga, pioneira há 60 anos na inclusão social de "pessoas em desvantagem", tem hoje as portas abertas a "toda a gente", apoiando em média 600 pessoas por dia, dos zero aos mais de cem anos.

 

A assinalar os 60 anos de existência este ano, cujas comemorações começam hoje com a conferência “Nascer e crescer na descoberta do prazer de existir”, a instituição tem um percurso marcado pela inovação.

Criada pelo pedopsiquiatra João dos Santos e pela pedagoga Rosa Bemfeito, com o apoio de médicos, psicólogos e educadores, a Fundação Liga teve na sua origem o primeiro centro de atendimento das crianças e jovens com deficiência numa casa na Alameda das Linhas de Torres, em Lisboa.

Há mais de 50 anos a dirigir a instituição, Guida de Freitas Faria destacou à agência Lusa a importância desta iniciativa nos anos 50, numa altura que “todas as crianças e pessoas que tinham qualquer problema na sua funcionalidade física eram afastadas da sociedade e remetidas para asilos ou instituições do género”.

“Se nós pensarmos como era o mundo e a Europa nos anos 50 apercebemo-nos que esta iniciativa é de facto muito inovadora”, disse a presidente da Fundação Liga, de 83 anos.

Ao longo dos anos, a instituição procurou “interpretar o espírito” dos fundadores e a sua “visão muito antecipadora” para a época.

“Hoje somos uma fundação e não atendemos as pessoas pela deficiência ou pela incapacidade física”, mas pelo que têm de positivo e muitas vezes não o conseguem descobrir porque têm alguma dificuldade, disse Guida de Freitas Faria, convicta de que estas pessoas têm muito para dar desde que tenham um ambiente que os ajude a libertar das suas dificuldades.

“Temos de pensar que a pessoa que está na cadeira de rodas, que não fala, que não anda tem alguma coisa para dar e essa oportunidade é aquela nos faz crescer e tornar o país mais enriquecido do ponto de vista humano e materialmente”, sustentou.

Nesse sentido, frisou, “a nossa casa não é uma associação fechada só a deficientes, é uma casa aberta a toda a gente”.

Todos os dias, a instituição, situada na Rua do Sítio ao Casalinho da Ajuda, recebe em média 600 pessoas que frequentam as várias valências da associação, que vão desde consultas médicas especializadas, formação profissional, intervenção precoce na infância, um clube sénior, um centro ocupacional e programas de arte e cultura.

“Fomos os primeiros em tudo, começámos com a intervenção precoce, com o atendimento à multideficiência, com a formação profissional, temos uma média de 150 jovens em formação, é este universo que nos distingue dos outros, o facto de não termos as coisas separadas”, disse.

Constituída em março de 2004 por personalidades de diversos setores da sociedade portuguesa, a fundação surge na continuidade das associações fundadoras, a LPDM Centro de Recursos Sociais (1994) e a Liga Portuguesa dos Deficientes Motores (1954), a primeira resposta neste domínio, organizada pela sociedade civil.

 

 

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