Frutose pode aumentar doenças hepáticas

Frutose pode aumentar doenças hepáticas

 

Lusa/Açoriano Oriental   Ciência   14 de Fev de 2017, 13:52

O consumo de frutose, nomeadamente nos refrigerantes, pode estar associado ao aumento de doenças hepáticas entre crianças e adolescentes.

De acordo com uma investigação hoje publicada no Jornal de Hepatologia, pesquisas recentes indicaram que a ingestão de frutose pode aumentar as concentrações de ácido úrico e que os dois (ingestão de frutos e ácido úrico) podem levar ao aumento da doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA, inflamação gordurosa do fígado).

Na investigação que agora é conhecida conclui-se que uma dieta de frutose e altas concentrações de ácido úrico não estão necessariamente associadas a casos de esteato-hepatite não alcoólica (gordura no fígado).

A acumulação de gordura nas células hepáticas em pessoas que bebem pouco álcool, ou não bebem sequer, é uma das causas de mais rápido crescimento da doença hepática, quer em países ocidentais como em países em desenvolvimento. Estima-se que afete 30% da população dos países ocidentais e até 9,6% das crianças e 38% das crianças obesas.

“É plausível que a ingestão de frutose e concentrações de ácido úrico representem fatores potenciais de risco para a progressão de doenças hepáticas”. Muitos estudos mostravam essa relação mas até agora nenhum tinha mostrado “a independência entre as associações de ácido úrico e o consumo de frutose”, disse o investigador Valerio Nobili, do laboratório de doenças hepáticas do Hospital Bambino Gesú, em Roma, Itália.

A equipa de investigadores, em Itália e no Reino Unido, estudou 271 crianças e adolescentes obesos com doença hepática gordurosa não alcoólica, que foram submetidas a uma biopsia e que preencheram um questionário.

As principais fontes de frutose alimentar entre crianças e adolescentes são as bebidas doces. Quase 90% dos inquiridos disse que bebia refrigerantes uma ou mais vezes por semana. Quase todos (95%) disseram que comiam durante a manhã e a tarde alimentos como bolos, pizza, comida salgada, biscoitos, iogurtes e outros 'snacks'.

Valerio Nobili afirmou que o estudo permitiu esclarecer que quer a frutose quer o ácido úrico estão associados à gordura no fígado e que tal pode “afetar de forma marcante a qualidade de vida” das pessoas, pelo que é importante conhecer os fatores de risco junto das crianças e adolescentes para preparar “intervenções eficazes”.

Modificar os comportamentos alimentares e limitando o acesso a bebidas doces pode reduzir o consumo de frutose junto dos jovens, afirma-se no estudo, no qual se lembra que vários países já iniciaram campanhas no sentido de proibir a venda dessas bebidas nas máquinas automáticas instaladas nas escolas.

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