Francisco José Viegas presente do 16ª festival de Literatura de Montereal


 

Lusa/AO On line   Nacional   18 de Set de 2010, 07:40

Francisco José Viegas é o único escritor português a participar na 16.ª edição do Festival Internacional de Literatura de Montreal, no Canadá, onde irá apresentar o seu romance policial “As duas águas do mar”.

Este festival, uma iniciativa em língua francesa que anualmente reúne duas centenas de autores e artistas, decorre de 17 até dia 26 e inclui este ano um ciclo de literatura europeia dedicado a romances policiais contemporâneos.

Denominado “Literatura Europol”, o ciclo conta com a presença de escritores, além de Portugal, da Alemanha (Jan Costin Wagner), Espanha (Teresa Solana e Juan Madrid) e Itália (Massimo Carlotto).

A par de mesas-redondas, o programa europeu prevê um rali literário intitulado “No rasto da Europol”, a ter lugar no domingo por ruas da cidade, convidando o público a investigar um enredo policial, partir de histórias e pistas à volta das obras dos escritores.

Questionado pela Lusa sobre a ideia da “literatura Europol”, Francisco José Viegas comentou que “o policial, hoje, é um género admitido no 'concerto das literaturas', com muitos leitores e com uma qualidade literária inquestionável. Já desapareceram muitos dos preconceitos sociais e literários contra a literatura policial”.

Neste contexto, “este projeto [da literatura “Europol”] é útil e muito divertido. A ideia de sair de uma sala, de andar pelas ruas a “inventariar” os pormenores de um romance policial, parece-me ótima. Não pensava encontrá-la no Canadá”.

Durante os passeios, o escritor apresentará “Les deux eaux de la mer”, a versão francesa, editada em 2005, da sua obra “As duas águas do mar”.

“Não escrevo policiais para fazer sociologia ou para enquadrar o crime na sociedade. Interessa-me o modelo literário, interessam-me as dinâmicas das personagens, o percurso do detetive, interessa-me o meu país, a solidão portuguesa”, elucidou quanto às suas motivações para este tipo de fições.

“O ponto de partida dos meus livros é aquele universo para chegar a outros – à passagem dos portugueses por África, à desumanização das relações humanas, à vida dos portugueses fora de Portugal”, acrescentou Viegas, que é também responsável editorial da Quetzal (Grupo Porto Editora).

Depois de “Mar em Casablanca”, que fala de Angola e da comunidade lusa na Venezuela e de “Longe de Manaus”, que aborda portugueses no Brasil e em África, o escritor confessou estar a ponderar um novo romance passado entre portugueses nos EUA, Canadá ou na Venezuela, para retratar “as suas tensões, inimizades, cumplicidades, passados remotos, heranças culturais”.

“Montreal tem tudo para isso e é um ambiente que os portugueses de Portugal desconhecem. Aliás, os portugueses de Portugal desconhecem as suas comunidades espalhadas pelo mundo. A mim interessam-me muito”, salientou.

O escritor português participa no festival a convite da Secção de Estudos Portugueses da Universidade de Montreal e do Instituto Camões, contando ainda com apoios do Consulado Geral de Portugal em Montreal e de comércios da comunidade lusa local.


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