Fosso entre promessas e redução necessária de emissões é "catastrófico"


 

Lusa/AO online   Internacional   31 de Out de 2017, 11:36

O responsável do Ambiente da ONU afirmou ser "catastrófica" a distância entre as promessas nacionais de limitação das emissões de gases com efeito de estufa e as reduções necessárias para manter o aquecimento abaixo de dois graus.

"Os compromissos atuais dos estados cobrem apenas um terço das reduções de emissões necessárias, cavando um fosso perigoso" que indicia grandes desregulações do clima, como temperaturas elevadas, secas, inundações ou superfuracões, salientou o diretor do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUMA), Erik Solheim.

O PNUMA publicou hoje o relatório anual sobre ação climática mundial com o tema: "Governos, Setor Privado, Sociedade Civil devem preencher este fosso catastrófico".

Segundo o programa da ONU, os países e indústrias têm de fazer mais para chegar aos objetivos que visam reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, que os cientistas dizem estar a contribuir para o aquecimento do planeta.

O relatório é divulgado dias antes da conferência do clima da ONU, que vai decorrer em Bona, na Alemanha, a partir de segunda-feira.

No documento são referidas as centrais a carvão para produzir eletricidade que estão a ser construídas nos países em desenvolvimento, realçando que o investimento em energias renováveis vai pagar-se a si próprio e mesmo ganhar dinheiro a longo prazo.

"Um ano após a entrada em vigor do Acordo de Paris, estamos longe de fazer o necessário para preservar centenas de milhões de pessoas de uma vida de miséria", disse Erik Solheim.

O Acordo de Paris "reforçou a ação climática, mas esta dinâmica claramente abrandou", considerou o ministro da Costa Rica, Edgar Gutierrez Espeleta, que ocupa o cargo de presidente da Assembleia da ONU para o Ambiente em 2017.

Segundo o relatório do PNUMA, síntese dos últimos estudo científicos, é necessário "acelerar urgentemente as ações de curto prazo e reforçar a ambição de longo prazo" e isso diz respeito a "todos os países", nomeadamente o G20, grupo de economias mais desenvolvidas, que representam três quartos das emissões.

A revisão dos compromissos nacionais, prevista para 2020 no Acordo de Paris, será "a última ocasião" para encontrar a trajetória correta para 2030, caso contrário, "é extremamente improvável" que o mundo consiga manter a subida da temperatura média abaixo dos 2ºC (dois graus Celsius), e depois dos 1,5ºC, relativamente ao período da Revolução Industrial, acrescenta o documento.

Os compromissos de redução de emissões para 2025 ou 2030 apresentados voluntariamente pelos Estados na conferência do clima da ONU (COP), no final de 2015, deverão levar à subida da temperatura média do planeta de mais de 3ºC, até 2100.

Para a subida ficar abaixo de 2ºC, seria necessário emitir um máximo de 41,8 gigatoneladas equivalentes de dióxido de carbono em 2030, um valor que era de 51,9 gigatoneladas em 2016.

Se os países mantiverem os compromissos apresentados, serão produzidas 52,8 gigatoneladas equivalentes de dióxido de carbono em 2030.

Desde 2014, as emissões de dióxido de carbono originadas pelas energias fósseis estabilizaram, nomeadamente devido ao menor recurso ao carvão pela China.

Mas, ainda é preciso diminuir mais, já que a concentração de dióxido de carbono na atmosfera nunca foi tão elevada, como referem os dados divulgados na segunda-feira pela Organização Mundial de Meteorologia.

As emissões de metano, um gás que contribui ainda mais para o aquecimento global, também não cessam de crescer, com origem nomeadamente na agricultura.

Entre as medidas propostas pela PNUMA estão a renovação dos edifícios, opção por energias renováveis ou transportes amigos do ambiente e económicos, embora sejam também listadas as incertezas - tecnológicas ou capacidade e vontade dos Estados.



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