Fome no mundo deve-se a falta de cultura de solidariedade e "inércia de muitos"

Fome no mundo deve-se a falta de cultura de solidariedade e "inércia de muitos"

 

Lusa   Internacional   3 de Jul de 2017, 14:47

O papa Francisco atribuiu a fome no mundo à "falta de uma cultura de solidariedade", à "inércia de muitos" e ao "egoísmo de alguns", numa mensagem por ocasião da abertura da 40ª conferência da FAO.

 

"Todos temos consciência de que não basta a intenção de garantir a todos o pão de cada dia, é necessário reconhecer que todos têm direito a ele", afirmou o papa na mensagem lida pelo secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin, na sede Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

O pontífice sublinhou que a fome e a desnutrição "não são apenas fenómenos naturais ou estruturais em determinadas áreas geográficas, mas são o resultado de uma condição mais complexa do subdesenvolvimento causado pela inércia de muitos ou o egoísmo de alguns"

Na sua opinião, as guerras, o terrorismo e os deslocamentos forçados de pessoas não são "fruto da desgraça", mas sim "uma consequência de decisões concretas".

A este respeito, o papa criticou o declínio diário das ajudas aos países pobres, apesar das "repetidas crises cada vez mais destrutivas" que ocorrem no mundo.

Para o papa Francisco, a FAO e outras instituições intergovernamentais devem ter a capacidade de intervir com ações solidárias quando um país seja incapaz de dar respostas à fome devido ao "seu nível de desenvolvimento, às suas condições de pobreza, às alterações climáticas ou a situações de insegurança"

O papa considera que o compromisso de cada país para melhorar a agricultura, aumentar a produção de alimentos e a sua distribuição efetiva "não basta", já que a erradicação da fome e da pobreza depende do "dever que toda a família humana tem para ajudar de forma concreta os necessitados".

Para incentivar os governos, o pontífice manifestou seu interesse em fazer uma contribuição "simbólica" ao programa FAO para fornecer sementes a famílias rurais que vivem em áreas afetadas pela violência e pela seca.

"Apenas um um esforço de solidariedade genuína será capaz de eliminar o número de pessoas malnutridas e privadas do necessário para viver", defende o papa na mensagem lida por Parolin, que anunciou a participação do papa na próxima celebração do Dia Mundial da Alimentação, 16 de outubro, na FAO.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura alertou hoje que o número de pessoas que passam fome no mundo aumentou novamente em 2017.

Na abertura da conferência da organização, o diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva, recordou que este ano foi declarada a fome no Sudão do Sul e que mais de 20 milhões de pessoas estão em risco de morrer por falta de alimentação, se se juntarem os casos da Somália, Nigéria e Iémen.

A situação contrasta com o desafio de erradicar a fome com o qual a comunidade internacional se comprometeu em 2015 com a aprovação da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, adiantou.

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