"Foi uma tristeza o que aconteceu à PT"


 

Lusa/AO online   Economia   9 de Dez de 2014, 17:22

O antigo presidente do BES lamentou no parlamento a situação por que passa a Portugal Telecom (PT), que investiu quase 900 milhões de euros em dívida de 'holdings' do Grupo Espírito Santo (GES) e não foi reembolsada.

"Foi uma tristeza o que aconteceu à PT. Espero sinceramente que a PT siga com a sua estrutura que, brilhantemente, desenvolveu em Portugal", afirmou aos deputados Ricardo Salgado, no âmbito da sua audição na comissão de inquérito ao caso Banco Espírito Santo (BES).

Salgado manifestou o desejo de que o futuro da operadora de telecomunicações venha a ser risonho e considerou importante a existência de vários interessados na sua compra.

"Há vários pretendentes, caberá aos acionistas da PT decidir. O Novo Banco tem uma posição acionista importante, poderá dar um contributo sobre a matéria", afirmou.

Antes, Salgado já tinha dito que a passagem das aplicações financeiras da PT na Espírito Santo International (ESI) para a Rioforte não foi uma "esperteza", mas a tentativa de proteger a operadora.

"A PT tinha aplicações no BES e no GES desde 2002. Acontece que a aplicação da PT estava na ESI e então foi sugerido à PT arbitrar a posição credora da ESI na Rioforte que não tinha imparidade", afirmou Ricardo Salgado.

"Isto não foi nenhuma esperteza, foi dentro da filosofia de tentar proteger os clientes, devido à imposição de ‘ring fencing' [blindagem entre o BES e o GES] e o trabalho que se queria fazer na área não financeira", garantiu.

E acrescentou que "o colapso vem dessa evolução".

Isto, depois de Salgado já ter admitido que a Rioforte não estava suficientemente capitalizada para absorver os ‘choques' da crise.

"Quando entrámos na crise ainda não tínhamos a Rioforte com a dimensão de capitais próprios necessária para receber passivos. Estava dentro dos nossos objetivos reforçar capitais dentro da Rioforte, como aconteceu", afirmou.

"É exatamente por causa de a ESI ter ficado fragilizada que aqueles que tinham créditos na ESI tentaram passar as suas posições credoras para a Rioforte", acrescentou.

A PT acabou por não ser reembolsada nos prazos devidos pelos investimentos próximos de 900 milhões de euros aplicados em dívida das 'holdings' do GES.


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