Saída do Reino Unido da União Europeia terá consequências negativas para parceiros comunitários

Saída do Reino Unido da União Europeia terá consequências negativas para parceiros comunitários

 

LUSA/AO Online   Internacional   16 de Mai de 2016, 14:50

A possível saída do Reino Unido da União Europeia - 'Brexit' - teria consequências negativas para as economias dos parceiros comunitários e aumentaria os "riscos políticos" para o bloco, afirmou a agência de 'rating' Fitch.

Num comunicado, a Fitch indica que vai rever a notação da dívida soberana do Reino Unido caso o país abandone a UE depois do referendo de 23 de junho. "Não prevemos tomar decisões imediatas de classificações negativas para a dívida soberana de outros países da UE se o Reino Unido sair. Mas será mais provável que se imponham ações negativas a médio prazo se o impacto económico for grave ou se se materializarem os riscos políticos", explicou a agência. A Fitch sublinhou que o 'Brexit' vai ter um maior impacto económico no Reino Unido do que no resto dos países comunitários, mas que "as consequências serão evidentes" para todos. Segundo a agência, neste cenário ficarão as exportações da UE para o Reino Unido, se bem que o efeito dependerá dos acordos comerciais que se estabeleçam entre ambos os blocos e do "grau e duração da desvalorização da libra esterlina". "Os países mais afetados serão a Irlanda, Malta, Bélgica, Holanda, Chipre e Luxemburgo, aqueles cujas exportações de bens e serviços para o Reino Unido representam pelo menos 8% do Produto Interno Bruto (PIB)", refere a Fitch. A Fitch também considera que a rutura de Londres com Bruxelas afetaria o setor bancário da Irlanda, Malta, Luxemburgo, Espanha, França e Alemanha devido aos "estreitos laços" que mantêm com as entidades financeiras britânicas. Por outro lado, a Fitch também sublinha que a contribuição líquida britânica para o orçamento comunitário passaria dos 7.100 milhões de euros de 2014 para "praticamente zero", obrigando os países contribuintes a aumentar as dotações e a reduzir o dinheiro que recebem dos Estados beneficiários. No terreno político, a Fitch afirma que o 'Brexit' poderia criar um precedente para que outros países abandonem a UE", ao mesmo tempo que poderia fomentar os "sentimentos anticomunitários" e o auge dos "partidos populistas". "O 'Brexit' poderia mudar o centro de gravidade da UE, com o domínio do núcleo da zona euro, mais pobre, mais protecionista e menos liberal do ponto de vista económico. Se o Reino Unido prosperasse fora da UE, outros países poderiam seguir o exemplo", adianta a agência. Neste sentido, a Fitch considera que a saída britânica poderia "precipitar a independência da Escócia" e assim "intensificar os pedidos secessionistas noutras partes da UE".


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