Filme documenta património dos muros de pedra vulcânica dos Açores

Filme documenta património dos muros de pedra vulcânica dos Açores

 

LUSA/AO Online   Regional   2 de Set de 2017, 14:17

Um documentário sobre muros de pedra típicos dos Açores, construídos em pedra vulcânica, assinado por André Laranjinha, numa coprodução Alice’s House e Museu Carlos Machado, vai ser exibido a 21 de setembro, no Cineclube de Ponta Delgada.

“O filme pretende demonstrar como se constroem esses muros não sob o aspeto técnico, mas de uma forma mais visual e sensorial, procurando-os relacionar com a origem da matéria-prima que lhes dá forma, que é a pedra de basáltica, vulcânica”, declarou à agência Lusa o artista plástico. André Laranjinha é um dos responsáveis pelo Alice's House, um ateliê a funcionar desde 2007 na ilha de São Miguel. O autor da curta-metragem afirma que esta é uma “espécie de viagem ao centro da terra”, considerando que é a essência da matéria-prima dos muros (basalto) que os "distingue dos restantes no mundo”, uma vez que o processo construtivo “basicamente é semelhante” no continente e em outras partes do planeta. Para o cineasta, os muros são um “enorme património natural” dos Açores “muito visível” que “cumprem a função de sobrevivência na ilha”, uma vez que desde o povoamento são utilizados para proteger as culturas e as habitações, delimitando também os terrenos. André Laranjinha refere que o filme “estabelece, de forma abstrata”, a relação entre o processo de construção atual e alguns muros antigos, sublinhando que este é idêntico. A antropóloga Maria Emanuel Albergaria declarou à Lusa, por seu turno, que o filme integra-se no projeto de reabertura do núcleo de Santo André do Museu Carlos Machado, edifício-sede que esteve encerrado durante vários anos e reabriu em 2016 com as vertentes de história natural e conventual. O então Museu Açoreano, criado por Carlos Machado em 1876, abriu ao público a 10 de Junho de 1880, nas instalações do antigo Liceu Nacional de Ponta Delgada, apresentando coleções de Zoologia, Botânica, Geologia e Mineralogia hoje consideradas históricas. Em 1890, passou a estar dependente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, denominando-se, após 1914, Museu Carlos Machado, em homenagem ao seu fundador. Em 1976, o Museu Carlos Machado transitou para a tutela da secretaria regional da Educação e Cultura e, em 2005, passou a ser a tutelado pela presidência do Governo Regional dos Açores, através da direção Regional da Cultura. Maria Emanuel Albergaria, da equipa do património cultural e material do museu, destacou que este trabalho, integrado nas jornadas europeias do património, surge no âmbito do circuito das vivências da instituição cultural, que será inaugurado em 2018. Maria Emanuel Albergaria apontou que os muros de abrigo foram “muito importantes” no contexto dos ciclos económicos da ilha de São Miguel, nomeadamente da laranja, onde desempenharam um “papel fundamental” a abrigar as laranjeiras, salvaguardando que estas “foram as primeiras construções que se fizeram nos Açores para limpar os terrenos e erguer alvenarias”. Não é a primeira vez que André Laranjinha realiza um filme para o Museu Carlos Machado, uma vez que já foi responsável por outro documentário sobre as clarissas do Mosteiro das Mercês das Calhetas de Rabo de Peixe, no concelho da Ribeira Grande, na ilha de São Miguel.



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