Fibras vegetais do artesanato dos Açores vão ser certificadas este ano

Fibras vegetais do artesanato dos Açores vão ser certificadas este ano

 

AO/Lusa   Regional   7 de Mar de 2015, 11:22

O Governo açoriano vai certificar este ano as fibras vegetais usadas como matéria-prima no artesanato regional com a marca coletiva Artesanato dos Açores, referiu à agência Lusa a diretora do Centro Regional de Artesanato dos Açores.

 

“Esta é das nossas maiores áreas. Estamos na fase final da certificação das fibras vegetais e, ainda este ano, com certeza que irá sair a portaria para proteger estes produtos tão típicos das nossas ilhas”, declarou Sofia de Medeiros.

São consideradas fibras vegetais o junco, cana de bambu, espadana, vime, dragoeiro, folhado e palha de trigo, entre outras matérias que constituíram um dos primeiros recursos naturais ao alcance dos povoadores dos Açores.

A área das fibras vegetais é “gigantesca, abrangendo todas as ilhas”, como explica Sofia de Medeiros, que refere que o processo de certificação teve início em 2013, com a fase de investigação, ou seja, o levantamento histórico e etnográfico, visando apurar o que tinha consistência para avançar.

A certificação dos produtos regionais “dá a garantia de se estar a consumir um produto de origem e de qualidade”, através da atribuição de um selo que é fornecido ao artesão, segundo a responsável pelo Centro Regional de Artesanato dos Açores.

Sofia de Medeiros considera que a certificação assegura, por outro lado, que o produto é genuíno, promovendo a sua projeção e internacionalização, o que considera “extremamente importante”.

Já foram certificados 16 produtos com a marca Artesanato dos Açores desde que o processo arrancou, em 1998.

A Portaria n.º 89/1998 de 3 de dezembro criou a marca coletiva de certificação Artesanato dos Açores para os produtos tradicionalmente manufaturados na região.

Os bordados típicos do arquipélago deram início ao processo de certificação, que incluiu o bordado a palha, da ilha do Faial, o bordado a matiz, de São Miguel, e o bordado a branco, da Terceira e Graciosa, segundo Sofia de Medeiros.

As rendas, a tecelagem, os figueiros, o registo do Santo Cristo, os bolos lêvedos, a escama de peixe e a doçaria regional constituem, de acordo a responsável pelo artesanato regional, outros dos produtos certificados.

No âmbito da doçaria está incluída a queijada de Vila Franca do Campo, em São Miguel, o bolo Dona Amélia, da ilha Terceira, a queijada da Graciosa, as espécies, de São Jorge, e os biscoitos de orelha, de Santa Maria.

Estão ainda certificados a cerâmica da região (que inclui as subáreas faiança, olaria, azulejaria e a cerâmica figurativa), o alfenim, um doce caraterístico do Espírito Santo na Terceira e Graciosa, e os presépios de lapinha.

No arquipélago foi criado o Sistema de Incentivos para o Desenvolvimento do Artesanato dos Açores (SIDART), que determina a concessão de subsídios não reembolsáveis e que visa promover o desenvolvimento sustentável da atividade.

Podem beneficiar dos incentivos as pessoas que individualmente ou em parceria, com ou sem natureza comercial, desenvolvam uma atividade artesanal e associações de artesãos.

 


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