Festival de cinema de Berlim estende a passadeira à luta contra o assédio sexual

Festival de cinema de Berlim estende a passadeira à luta contra o assédio sexual

 

Lusa/AO online   Internacional   6 de Fev de 2018, 11:50

O Festival de Cinema de Berlim, que começa no dia 15, vai exibir dezenas de filmes, estender a passadeira vermelha, mas também quer ser um fórum para discutir discriminação, assédio e abuso sexuais.

"A Berlinale está fortemente comprometida em lutar pela autodeterminação sexual e contra qualquer forma de abuso", afirmou hoje a direção do festival, no dia em que anunciou a programação completa da 68.ª edição.

A par de vários debates agendados, o festival propõe ainda aconselhamento e apoio gratuito a todos os artistas ou espectadores que quiserem falar sobre situações de discriminação e abuso.

Da programação completa hoje anunciada, sabe-se que o ator norte-americano Willem Dafoe vai receber um prémio de carreira e que terá uma curta retrospetiva do trabalho no cinema.

A competição de longas-metragens completa-se com a inclusão de "Utoya 22. Juli", filme de Erik Poppe sobre um dos atentados ocorridos no verão de 2011 numa ilha na Noruega e que causou mais de 80 mortos.

A secção competitiva, cujo júri é presidido por Tom Tykwer, apresenta 19 filmes, entre os quais "Isle of Dogs", de Wes Anderson - que abrirá o festival -, "Don't worry, he won't get far on foot", de Gus Van Sant, "Eva", de Benoit Jacquot, "Mug", de Malgorzata Szumowska, "Pig", de Mani Haghighi e "The Prayer", de Cedric Kahn.

Fora de competição, serão mostrados, por exemplo, "7 days in Entebbe", do brasileiro José Padilha, "The Looming Tower", de Alex Gibney, "La librería", de Isabel Coixet, e "Songwriter", de Murray Cummings sobre o músico Ed Sheeran.

Dos mais de 300 filmes escolhidos para esta edição, destacam-se as três curtas-metragens portuguesas na competição pelo Urso de Ouro: "Madness", de João Viana, "Onde o verão vai (episódios da juventude)", de David Pinheiro Vicente, e "Russa", de João Salaviza e Ricardo Alves Jr..

O festival recorda que nos últimos seis anos o Urso de Ouro de melhor curta-metragem foi atribuído três vezes ao cinema português, a Leonor Teles, João Salaviza e Diogo Costa Amarante.

"A terceira geração de realizadores do cinema português contemporâneo percebeu que a ficção dá uma grande liberdade narrativa na forma como se relaciona com a atualidade", afirma Maike Mia Hohne, curadora da competição de curta-metragens.

O júri desta competição integra o realizador Diogo Costa Amarante, enquanto a diretora do Doclisboa, Cíntia Gil, vai fazer parte do júri de documentário.

Além daqueles três filmes, haverá cinema português no programa "Fórum", com as longas-metragens "Our madness", de João Viana, "A Árvore", de André Gil Mata, e "Mariphasa", de Sandro Aguilar.

Transversal a todas as categorias, será atribuído o prémio GWFF, para primeiras obras, no valor de 50.000 euros, para o qual está nomeado o filme de André Gil Mata.

A série policial "Sul", de Edgar Medina e Guilherme Mendonça, com realização de Ivo M. Ferreira, será apresentada no mercado de coproduções.

No programa paralelo Berlinale Talents, estará o realizador André Santos e no "Project Labs" este cineasta apresentará o projeto do documentário "Na Floresta" (título provisório), coassinado com Marco Leão.

A 68.ª edição do Festival de Cinema de Berlim termina no dia 25 de fevereiro.



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