Festival da Lampreia atrai quase tantos visitantes como o Mosteiro de Lorvão


 

Lusa / AO online   Economia   14 de Fev de 2010, 12:38

Os restaurantes de Penacova preveem servir perto de cinco mil doses de arroz de lampreia no último fim de semana de fevereiro, com o festival gastronómico a assumir-se como o evento que mais visitantes atrai ao concelho.

Em 2009, os 12 restaurantes envolvidos no certame serviram, apenas durante os dias da sua realização, 4956 doses de arroz de lampreia. Este ano, implicando 14 estabelecimentos, os promotores admitem atingir um número idêntico.

O Festival da Lampreia de 2009 beneficiou do facto de coincidir com o Carnaval, reconhecem os organizadores. Mas "o evento já tem um público muito fiel", sublinha, à agência Lusa, explicando o otimismo, Luís Rodrigues, técnico dos serviços de turismo da autarquia.

Promovido, desde há 13 anos, pela Câmara de Penacova, a iniciativa é um dos maiores cartazes turísticos do município. O Mosteiro de Lorvão, principal monumento do concelho, foi visitado, nos últimos três anos, em média, por sete mil pessoas. O Museu Moinho Vitorino Nemésio recebeu, em 2009, perto de 5500 visitantes.

"O sucesso do festival [que este ano se realiza entre os dias 26 e 28], deve-se, antes de mais, às características do prato, confecionado de acordo com a tradição", que é antiga, mas sobre a qual não há dados que permitam saber a que época remonta. Certo é, porém, que esta sempre foi uma especialidade gastronómica não muito popular. Sobretudo porque "Para a lampreia, bolsa cheia", como diz o velho provérbio local, recorda Luís Rodrigues.

Regras antigas que passam pelo "cuidado amanho do ciclóstomo", prolongada marinada e recurso a determinados temperos, na medida certa. "Um bom vinho e um bom azeite são fundamentais", diz Jorge Côta, proprietário do restaurante Côta.

"O tempo de cozedura também é muito importante - nunca menos de uma hora", sublinha Natália Coimbra, proprietária e cozinheira do restaurante Boa Viagem. "A qualidade dos produtos, desde o arroz à lampreia, dos temperos mais discretos ao vinho", é o segredo. Sem esquecer, adverte, os grelos cozidos, indispensáveis, como acompanhamento, para a maioria dos apreciadores.

O conhecimento herdado e de experiência feito "de nada serve se os produtos não forem de boa qualidade", afirma, à Lusa, Natália Coimbra. A começar pela lampreia, cuja qualidade passa pelo tempo de estágio em tanques de água doce corrente. Ai, o ciclóstomo passa fome e emagrece, perde o sabor a lodo, adquire consistência e muda mesmo de cor, escurecendo.

Até há alguns anos, o estágio, de vários dias, era feito no Mondego. As lampreias eram guardadas em caixas de rede, permanentemente banhadas pelas águas do rio. Por isso, "restaurante que se prezasse em servir lampreia, localizava-se junto do rio".

Agora, "isso acabou e já ninguém deixa a lampreia no rio", sob pena de ser roubada, explica Jorge Côta. E é fácil de compreender o fenómeno, pois uma lampreia custa, hoje, cerca de 70 euros.

A lampreia, em estágio, em caixas de rede no Mondego, é, no entanto, a única tradição perdida na história do ciclóstomo em Penacova. As outras regras antigas, relacionadas com o tratamento, tempero e confeção permanecem intactas. E esse, garantem proprietários de restaurantes e cozinheiros, é o maior segredo do sucesso desta especialidade gastronómica em Penacova.


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