Fenómenos meteorológicos extremos marcaram 2012

Fenómenos meteorológicos extremos marcaram 2012

 

Lusa/AO online   Internacional   28 de Nov de 2012, 14:22

O ano de 2012 registou fenómenos meteorológicos extremos por todo o mundo, sobretudo no hemisfério norte, e os primeiros dez meses foram dos mais quentes desde que há registos, revelou a Organização Meteorológica Mundial (OMM).

O relatório provisório sobre o estado do clima global foi divulgado hoje em Doha para informar os participantes da conferência anual da ONU sobre alterações climáticas e conclui que 2012 não deverá fugir à regra dos últimos 10 anos, que estiveram todos entre os mais quentes desde que começaram os registos, em 1850.

Apesar de o início do ano ter sido mais fresco do que é habitual devido à influência do fenómeno La Niña, a partir de abril as temperaturas terrestres e marítimas aumentaram "mês após mês" e o período entre maio e outubro esteve entre os quatro mais quentes de que há memória.

A organização da ONU para as questões meteorológicas destaca ainda um degelo sem precedentes: "O Ártico alcançou a sua extensão anual mínima desde que há registos de satélite a 16 de setembro, com 3,41 milhões de quilómetros quadrados".

Este valor foi 18% mais baixo do que o último recorde, de 18 de setembro de 2007 e cerca de 11,83 milhões de quilómetros quadrados de gelo do ártico derreteu entre março e setembro de 2012, acrescenta a OMM.

“A extensão do gelo do mar Ártico alcançou um novo mínimo histórico. A taxa alarmante deste degelo chama a atenção para as vastas mudanças a acontecer nos oceanos e na biosfera terrestres. As alterações climáticas estão a ocorrer diante dos nossos olhos e vão continuar como resultado das concentrações dos gases com efeitos de estufa na atmosfera, que aumentaram constantemente e voltaram a alcançar novos recordes", disse o secretário-geral da OMM, Michel Jarraud.

Admitindo que há alguma variação natural do clima devido a fenómenos como o El Niño e o La Niña, o responsável sublinhou que isso "não altera a tendência de longo prazo de aumento das temperaturas devido às alterações climáticas como resultado da atividade humana".

O relatório provisório agora divulgado, cuja versão final será lançada em março do próximo ano, destaca que o ano de 2012 registou eventos extremos em todo o mundo, sobretudo no hemisfério norte.

"Importantes vagas de calor afetaram o Hemisfério norte durante o ano, a mais notável das quais ocorreu entre março e maio nos EUA e na Europa", escreve a OMM, acrescentando que quase 15 mil recordes diários de temperatura foram batidos este ano nos EUA.

Seca nos EUA, partes da Rússia e Sibéria, no sudeste europeu e alguns países mediterrânicos, assim como na China, no nordeste brasileiro e na Austrália; inundações em partes da África ocidental e do Sahel, no sul da China, no Paquistão e em partes da Argentina e da Colômbia e vagas de frio no continente euro-asiático entre finais de janeiro e meados de fevereiro, com a Rússia a registar temperaturas abaixo dos 45ºC negativos foram alguns dos fenómenos extremos registados pela OMM em 2012.

A organização destaca ainda que a bacia do Atlântico registou este ano uma época de furacões mais ativa do que habitual pelo terceiro ano consecutivo, com um total de 19 tempestades, dez das quais alcançaram o estatuto de furacão.

O mais notável de todos, escreve a OMM, foi o furacão Sandy, que devastou a região do Caribe e a costa Leste dos EUA.


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