Federação Agrícola dos Açores afasta cenário de manifestações após reunião "positiva" com Governo

Federação Agrícola dos Açores afasta cenário de manifestações após reunião "positiva" com Governo

 

Lusa/AO Online   Regional   16 de Mai de 2017, 08:32

O presidente da Federação Agrícola dos Açores, Jorge Rita, afastou hoje a possibilidade de surgirem "manifestações" em várias ilhas, depois de uma "reunião positiva" que manteve com o presidente do Governo Regional, Vasco Cordeiro.

O dirigente agrícola, que falava à saída de uma audiência com o chefe do executivo açoriano, em Ponta Delgada, adiantou que o encontro permitiu discutir os problemas do setor e encontrar "algumas soluções" para compensar a perda de rendimentos dos produtores açorianos.

"O cenário de manifestações, no momento, está afastado, porque apareceram algumas soluções", justificou Jorge Rita, em resposta a uma pergunta dos jornalistas, acrescentando que, "se aparecerem soluções, obviamente que não há necessidade de manifestações".

O presidente da Federação Agrícola tinha ameaçado, o mês passado, em conferência de imprensa, avançar com manifestações em várias ilhas, em sinal de protesto contra o rateio na transferência de verbas comunitárias, no âmbito do programa POSEI, que estaria a penalizar os produtores açorianos.

"Aquilo que foi acordado com o Governo é que vamos sentar-nos [à mesa] nos próximos dias, no sentido de discutir aquilo que são as verbas do Orçamento Regional que não estão alocadas aos apoios comunitários, para vermos a possibilidade de tirarmos algumas verbas para que essa ajuda seja transferida para os prémios ao abate", adiantou agora Jorge Rita.

Segundo explicou, houve um "elevado rateio" no prémio ao abate, na ordem dos 8,8%, devido a um aumento da produção agrícola nos Açores, que fez com que o mesmo bolo de ajudas comunitárias tivesse de ser dividido por mais produtores.

O presidente do Governo Regional lembrou, no final da reunião com a Federação Agrícola, que o rateio nos apoios do POSEI resultou do "grande crescimento de produções" que se verificou no arquipélago, que no seu entender, "revela um crescimento do valor da nossa agricultura".

"Naturalmente que, havendo um montante que é fixo, ao nível do POSEI, é necessário encontrarmos as melhores formas para podermos utilizar o melhor possível essas verbas", advertiu Vasco Cordeiro, lembrando, porém, que tanto a Região como a Federação têm vindo a reivindicar um aumento das transferências de verbas ao abrigo daquele programa.

Outro dos temas que foi discutido nesta reunião, foi o preço do leite pago ao produtor pelas indústrias de laticínios da região, que tanto na opinião da Federação Agrícola, como do executivo, deve ser aumentado.

"É importantíssimo que as indústrias aumentem o preço de leite [ao produtor]. Nós temos o melhor leite do mundo e temos o pior preço da Europa e objetivamente, as indústrias têm de inverter toda essa situação", insistiu Jorge Rita, que acusa a indústria de estar a "asfixiar" o setor.

O chefe do executivo socialista lembrou que, apesar de "alguns sinais de recuperação do preço do leite pago ao produtor" nos Açores, esse aumento não tem ocorrido com a "rapidez desejável", o que faz com que os produtores açorianos recebam menos que os seus congéneres do continente português e da média dos produtores da Europa.

A reunião entre a Federação Agrícola dos Açores e o presidente do Governo socialista surge na véspera do arranque do plenário de maio do parlamento dos Açores, que tinha como um dos pontos da agenda, uma interpelação do PSD ao executivo, sobre a "crise" no setor agrícola.


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