FARC passa idade mínima de recrutamento dos 15 para os 17 anos


 

Lusa/AO online   Internacional   12 de Fev de 2015, 17:25

A guerrilha colombiana das FARC anunciou que passou dos 15 para os 17 anos a idade mínima de incorporação dos seus novos recrutas, e pediu ao exército para deixar de explorar "de forma sistemática" os menores no conflito colombiano.

 

"As FARC (...) decidiram deixar de recrutar menores com menos de 17 anos para a suas tropas de guerrilheiros e afirma em simultâneo o seu desejo de garantir rapidamente um acordo de paz", anunciou em Havana -- onde desde 2012 decorrem as conservações de paz com o governo de Bogotá -- Iván Márquez, número dois das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).

No Dia internacional contra o recrutamento infantil, o responsável da organização armada reconheceu perante os jornalistas que as FARC autorizavam até agora o recrutamento de jovens a partir dos 15 anos, mas assegurou que o Estado, as forças armadas e as milícias paramilitares também recorreram sistematicamente ao recrutamento forçado de menores.

"Seguiram de forma sistemática uma política de utilização de menores no conflito", acusou Marquez, apelando ao fim do que definiu como "operações" do exército para recrutar à força população masculina nas zonas rurais.

"A prática habitual do Estado e dos paramilitares que consiste em utilizar os menores com menos de 15 anos deve terminar" e o Estado colombiano "deve reconhecer plenamente o direito à objeção de consciência no âmbito do serviço militar obrigatório", insistiu.

Em resposta, o chefe da delegação do Governo colombiano às conversações de paz, Humberto de la Calle, considerou a decisão das FARC "um passo na boa direção" apesar de "insuficiente" e não conforme às leis internacionais, por não abranger todos os menores com menos de 18 anos.

Por sua vez, o chefe do exército colombiano, general Jaime Lasprilla, rejeitou na rede social Twitter as acusações da guerrilha, ao afirmar que foi o grupo armado quem mais recorreu "às crianças e adolescentes, com 71% dos recrutamentos no país".

Um relatório de 2013 do Ministério Público colombiano referiu que as FARC recrutaram cerca de 13.000 menores desde o início da rebelião armada em 1964. Segundo esta fonte, os recrutamentos incluíram por vezes crianças de oito anos, para o reconhecimento ou missões urbanas.

Segundo um estudo hoje divulgado por diversas ONG colombianas, pelo menos 7.722 crianças dos dois sexos foram vítimas de recrutamento por parte de diversos grupos armados ilegais na Colômbia desde 1985 até 01 de novembro de 2014.

Já o gabinete do "defensor do povo", um organismo público responsável pela defesa dos direitos humanos na Colômbia, refere que dez crianças são recrutadas todos os meses por grupos armados, incluindo pelas guerrilhas de esquerda e pelos bandos criminais com ligações ao narcotráfico.

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