Famílias sem luz por não terem dinheiro para pagar facturas

Famílias sem luz por não terem dinheiro para pagar facturas

 

Lusa/AO online   Nacional   20 de Jun de 2010, 15:57

A DECO recebeu nos últimos meses dezenas de pedidos de ajuda de famílias que não conseguem pagar as faturas de serviços públicos e quando recorrem à instituição estão já com bem essenciais como a luz cortados há várias dias.

“Começou a verificar-se no ano passado e este ano continua”, disse à Lusa, Natália Nunes, do gabinete de apoio ao sobreendividado, que ainda não contabilizou o número de casos, mas garante que “são algumas dezenas de situações”. Segundo disse, “a maior parte quando pede ajuda, já tem o serviço (luz, água ou gás) cortados há alguns dias”. A DECO tenta ajudar servindo de mediador e já conseguiu acordos com prestadores, nomeadamente para pagamento faseado e para que o serviço seja restabelecido de imediato. Natália Nunes aconselha as famílias a “perante uma situação de dificuldade, contactarem de imediato as empresas”, mas admite que um acordo de pagamento faseado “não é suficiente” para resolver a situação. A situação ”é comum” a todo o país, garantiu à Lusa Eugénio Fonseca, presidente da Caritas portuguesa que, nos diversos núcleos espalhados pelo país, paga cada vez com mais frequência as faturas de um número crescente de pessoas que se veem “desprovidas de meios para satisfazer as necessidades básicas”. O presidente da Cáritas não sabe contabilizar o número de casos pois, segundo disse, a “principal preocupação desta instituição é minimizar as situações “dramáticas que aparecem ao nível da alimentação, eletricidade, água e educação dos filhos”. Mas Eugénio Fonseca reconhece que a situação não fica resolvida porque “no mês seguinte as pessoas continuam sem dinheiro e muito menos se resolve com acordos de pagamento faseado”. “Com a agravante de que têm de pagar todas aquelas taxas pelo corte e reposição do serviço”, lembrou. Segundo disse, quando instituições como a que dirige “procuram intervir, a resposta que é dada é que não são empresas sociais, são comerciais”. Para o presidente da Cáritas, “empresas como a EDP devem rever a sua posição e abdicar de lucros em favor das pessoas com menos recursos e em situações em que comprovadamente as pessoas não tenham condições alguém tem de assumir a responsabilidade”. “Sé é a EDP, se é o Estado? Têm de se articular. Hoje a eletricidade é um bem essencial que não pode ser de forma nenhuma escamoteado”, defendeu. A responsável pelo gabinete de apoio ao sobreendividado da DECO, Natália Nunes, defende medidas como a que estão já a ser adotadas por algumas empresas de abastecimento de água, que criaram tarifas especiais para as famílias com baixos rendimentos. Contactada pela Lusa, EDP respondeu por escrito que “o número de cortes de energia em 2010 não é superior ao de 2009”, sem quantificar, da mesma que não especificou a duração dos cortes, referindo apenas que “a reposição da energia não está a demorar mais tempo do que antes”.  Informou ainda que tem “flexibilizado a realização de acordos de pagamento que permitam às famílias e empresas regularizar a sua situação perante a EDP o mais rapidamente possível”.


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