Famílias procuraram menos crédito no terceiro trimestre


 

Lusa/AO online   Economia   31 de Out de 2012, 16:17

A procura de empréstimos por parte das famílias caiu no terceiro trimestre, divulgou o Banco de Portugal (BdP), enquanto a procura de financiamento bancário pelas empresas permaneceu estável.

“Os resultados obtidos apontam para uma diminuição da procura de empréstimos ao longo do terceiro trimestre no caso dos particulares, afetando o segmento da habitação de uma forma mais acentuada”, segundo o 'Inquérito aos bancos sobre o mercado de crédito' do BdP.

A instituição aponta quatro fatores que justiçam a queda da procura pelas famílias: a diminuição de confiança dos consumidores, a deterioração das perspetivas do mercado da habitação, o aumento das despesas de consumo não relacionadas com a habitação e a retração nas despesas de consumo de bens duradouros.

A maior queda na procura pelos particulares deu-se no crédito à habitação, com dois bancos a reportarem uma "diminuição considerável”, disse o BdP. Já nos empréstimos ao consumo e para outros fins a procura diminuiu "ligeiramente”.

Em relação às empresas, o Banco de Portugal encontrou “fatores de sentido oposto” que se traduziram numa estabilização da procura de financiamento junto dos bancos.

Por um lado, a procura caiu devido à “diminuição das necessidades de financiamento para efeitos de investimento”. Por outro lado, a procura foi “sustentada por um aumento das necessidades de financiamento de existências e de fundo de maneio, bem como de financiamento para a reestruturação da dívida”.

Para o futuro, os cinco bancos inquiridos antecipam uma continuada redução da procura de crédito pelos particulares, acentuada no caso da habitação. Nas empresas, os bancos consideram que a procura permanecerá estável, ainda que com um “ligeiro decréscimo” nos empréstimos de longo prazo.

No inquérito de outubro, o BdP acrescentou ainda duas questões: sobre o acesso dos bancos a financiamento e sobre o impacto da crise da dívida soberana no crédito concedido.

Sobre o acesso ao financiamento, os bancos reportaram que, na generalidade, não houve alterações tanto no financiamento através de depósitos, como no acesso ao mercado monetário interbancário. Sem alterações significativas está ainda o financiamento através da emissão de dívida e da titularização de empréstimos.

Quanto ao impacto das tensões no mercado de dívida soberana, as cinco instituições inquiridas consideraram que estas “não afetaram os critérios de concessão de crédito aplicados” às empresas e particulares, assim não alteraram as suas condições de financiamento.

Já dois dos bancos inquiridos, refere o documento do BdP, indicaram que a evolução do valor dos títulos de dívida soberana “contribuiu ligeiramente para a melhoria das suas condições de financiamento”.


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