Família de criança síria afogada pretendia ir para o Canadá


 

Lusa/AO online   Internacional   3 de Set de 2015, 17:22

A família da criança síria cujo corpo deu à costa numa praia turca após o naufrágio de uma pequena embarcação pretendia ir para o Canadá, afirmou a tia do menor, citada pelo diário Ottawa Citizen.

 

Teema Kurdi, a viver em Vancouver (oeste do Canadá) há cerca de 20 anos, disse que tinha reunido em janeiro os documentos necessários para uma candidatura de imigração, ao abrigo do programa de refugiados, para o irmão e a respetiva família (mulher e dois filhos).

Na quarta-feira, a fotografia de Aylan Kurdi, o menino sírio de três anos cujo corpo deu à costa na praia turca de Bodrum (sudoeste) tornou-se viral no mundo inteiro, provocando uma onda de indignação e de consternação.

Com o seu pai, o único sobrevivente da família, a sua mãe e o seu irmão Galip de cinco anos, o menino sírio viajava numa pequena embarcação com refugiados sírios que tentava alcançar a costa grega.

Em declarações ao jornal canadiano, Teema Kurdi relatou que tentou, com a ajuda de amigos e vizinhos, reunir as garantias bancárias necessárias para trazer a família para o Canadá, mas que não conseguiu.

Em junho passado, a candidatura para o estatuto de refugiados foi recusada à família pelos serviços de imigração canadianos devido, segundo Teema Kurdi, à complexidade dos pedidos de asilo provenientes da Turquia.

Com a rejeição da candidatura, a família decidiu embarcar e tentar a sua sorte no Mediterrâneo.

Oriundo da cidade curda de Kobane (norte da Síria), o pai da criança síria relatou hoje, pela primeira vez, os momentos que antecederam a morte da sua família.

"Tínhamos coletes salva-vidas, mas o barco virou de repente, porque as pessoas se levantaram. Segurei a mão da minha mulher. Mas os meus filhos escorregaram-me das mãos", afirmou Abdallah Ebdi, em declarações à agência de notícias turca Dogan.

Naquela noite (de terça para quarta-feira), um total de 12 refugiados sírios morreram ao largo da estância balnear turca de Bodrum quando tentavam chegar à ilha grega de Kos, uma porta de entrada para a União Europeia (UE).

"Estava escuro e todas as pessoas estavam a gritar. Foi por isso que a minha mulher e os meus filhos não podiam ouvir a minha voz. Consegui nadar até a costa graças às luzes, mas, uma vez em terra, não consegui encontrar a minha mulher e os meus filhos", disse Abdallah Ebdi.

"Fui para o hospital e só aí recebi a má notícia", recordou.

Ainda em declarações à agência turca, Abdallah Ebdi referiu que já tinha tentado em outra ocasião levar a sua família para a Grécia, mas, na altura, a embarcação em que viajavam foi intercetada pela guarda costeira grega.

O ministro da Imigração canadiano, Chris Alexander, afirmou na quarta-feira, antes da divulgação das imagens da criança síria, que "o número [de refugiados no país] estava a aumentar rapidamente", através do programa governamental e do apoio dos cidadãos.

Chris Alexander assegurou na mesma ocasião que "cerca de 2.500" refugiados sírios tinham sido recebidos no Canadá este ano.

De acordo com os últimos dados oficiais, divulgados em finais de julho, 1.002 sírios foram efetivamente instalados no Canadá.

Também na quarta-feira, e em plena campanha eleitoral para as eleições legislativas de outubro, os três principais partidos políticos canadianos prometeram acolher mais refugiados.

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