Fábrica de enchidos tradicionais com sucesso sofre por não haver um único matadouro no Algarve


 

Lusa / AO online   Economia   13 de Jun de 2010, 13:19

Em plena Serra de Monchique, entre porcos pretos a pastar nos montados e sombras de medronheiros, há uma fábrica de enchidos apreciados por portugueses e turistas estrangeiros em dificuldades por causa dos custos das viagens para Beja, já que o único matadouro do Algarve está fechado.

A setecentos metros de altura, na também chamada “Sintra do Algarve”, por estar polvilhada de fetos e árvores de grande porte, foi fundada há 10 anos a Fábrica de Enchidos Tradicionais de Idália Duarte, uma empresária empreendedora que descobriu com a avó e a mãe o “tempero natural” e sem “conservantes” para confecionar os melhores chouriços, morcelas de carne e farinheiras.

“Há uns anos atrás tínhamos um matadouro em cada concelho do Algarve, mas acabaram com os matadouros municipais. Mais tarde acabaram com os regionais e depois ficou só um distrital que se localizava em Loulé, mas também fecharam esse e ficámos sem nenhum matadouro no Algarve”, criticou Idália Duarte, referindo que são obrigados a ir pelo menos duas vezes por semana a Beja levar os animais.

“Infelizmente já há boatos que esse Matadouro de Beja também vai fechar. Se fechar fico só com Matadouro no Montijo e nesse caso será melhor fechar a porta da fábrica”, lamentou a empresária.

Entretanto, apesar destes custos, a micro empresa onde trabalham 15 pessoas vai continuando a aumentar o volume de negócios mesmo com a crise financeira e os maiores amantes dos enchidos tradicionais são os alemães, ingleses, franceses, mas também os espanhóis e portugueses.

Os alemães são “bom garfo” e preferem os enchidos que levem sangue”, enquanto que os ingleses, por exemplo, apreciam mais a morcela que é parecida ao “black-pudding” do país deles, explicou a empresária.

O segredo do sabor autêntico dos chouriços, morcelas e das farinheiras é serem confecionados apenas com carnes de primeira, nomeadamente do lombo, lombinho, pás, entremeada, perna. Mas há mais truques: o sal, alho e pimentão também fazem parte da receita.

Os acepipes só estão completamente confecionados depois de estarem alguns dias a receber os fumos num fumeiro especial, que é feito só à base de lenha de medronheiro, conta à Idália Duarte, de faces coradas enquanto remexe as brasas.

O Matadouro Regional do Algarve foi encerrado em julho de 2007 por ordem da Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica (ASAE) e até ao momento não foi proporcionada qualquer alternativa viável aos produtores, que desde então se deslocam aos matadouros situados nas regiões do Alentejo ou Setúbal.

Em março deste ano, o Bloco de Esquerda questionou o Governo sobre que solução tinha em vista para a carência de uma unidade de abate de animais no distrito de Faro e recordou que propôs no Orçamento de Estado para 2010 a construção de um Matadouro Público Regional do Algarve.


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