Exigências dos casais dificultam adoções de crianças

Exigências dos casais dificultam adoções de crianças

 

Lusa / AO Online   Regional   31 de Jan de 2010, 10:49

As exigências dos casais que querem adotar crianças relativamente ao perfil do menor que pretendem acolher está a criar nos Açores uma grande discrepância entre os que estão nas listas de espera para adotar e para serem adotados.

No ano passado, segundo dados oficiais da Secretaria Regional do Trabalho e Solidariedade Social, estavam sinalizadas para adoção 40 crianças, mas apenas foram adotadas 13, apesar de existirem 48 casais em lista de espera para adoção.

“A pretensão dos pais adotantes é diferente das crianças que estão disponíveis para adoção”, afirmou Isabel Berbereia, diretora regional da Solidariedade e Segurança Social.

Segundo esta responsável, “para as crianças saudáveis com menos de sete anos, os processos (de adoção) são facilmente concluídos”.

As crianças com mais de sete anos, com atrasos de desenvolvimento ou os casos de fratria, em que tem que haver uma adoção conjunta de irmãos, estão entre as menos procuradas para adoção.

Entre as 40 crianças que se encontravam em situação de serem adotadas em 2009, muitas estão nessa situação há vários anos, o que reduz cada vez mais a probabilidade de virem a ser acolhidas numa família adotiva.

Para estes casos, está em fase de regulamentação o apadrinhamento civil, que será uma alternativa à adoção, onde são excluídos os direitos de um filho biológico, a herança e o nome de família.

“É uma medida intermédia entre o acolhimento e a adoção”, salientou Isabel Berbereia, acrescentando que o processo de seleção será “mais facilitado”.

Nestes casos de apadrinhamento civil, segundo a diretora regional da Solidariedade e Segurança Social, “os casais que conheçam a criança institucionalizada podem acolher sem que exista uma adoção”.

Isabel Berbereia salientou que o aumento de casais candidatos para adoção, prende-se com uma maior sensibilidade para construir uma família com uma criança adotada, tendo em conta a maior aceitação que existe por parte da sociedade.

Este aumento de casais disponíveis para adotar tem sido acompanhado por uma maior rapidez nos processos de adoção, seja pela crescente facilidade dos procedimentos judiciais ou pela menor morosidade dos serviços da Segurança Social.

Para garantir maiores probabilidades de sucesso nas adoções, tal como acontece a nível nacional, também nos Açores está a ser preparado um processo de formação e informação para quem pretende adotar uma criança.

“É uma forma de certificar que os (pais) adotivos são seguros, reúnem equilíbrio financeiro, habitacional e emotivo e, sobretudo, se a pretensão de adotar é partilhada pelos dois membros do casal”, afirmou Isabel Berbereia.

Para a diretora regional, esta medida pode “evitar o recuo de alguns pais” depois da adoção.


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